Sei que às vezes eu uso palavras
repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas? Foi citando esse
trecho da música da banda Legião Urbana que Jeruse Maria Romão, iniciou a
palestra “A África está em nós, Africanidades Catarinenses”. A pedagoga e mestre
em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) tratou do
assunto com representantes das escolas municipais de Criciúma, nesta
terça-feira (2), no auditório da Associação dos Municípios da Região
Carbonífera (Amrec). “A lei que torna obrigatório o estudo da História e
Cultura Afro-Brasileira nos currículos oficiais escolares foi aprovada há 13
anos e a lei que obriga o estudo da cultura indígena já tem 8 anos. O processo
de implementação é contínuo e exige momentos de formação como esse. Precisamos
repetir as palavras já ditas, dialogar e refletir sobre as razões que promovam
a interdisciplinaridade dessa temática nas salas de aula,” explicou Jeruse.
A Educação das Relações Étnico Racial
(Erer) é um conjunto de ações políticas educativas que atuam com a concepção de
reeducar os modos de convivência da sociedade, para o respeito às diferenças e
conteúdos étnicos de base africana e afro-brasileira. A Secretaria de Educação
em parceria com a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial de Criciúma
(Copirc) tem como foco essa perspectiva de trabalho que tem como objetivo
promover a valorização das diferentes identidades, culturas e etnias no
contexto escolar e não é entendido apenas como uma obrigatoriedade imposta
pelas leis. “A luta pelos direitos da população negra e indígena no Brasil é
perpassada por muitos desafios e resistências. A escola, por mais de um século,
excluiu do seu currículo a contribuição de negros e indígenas para o processo
de formação do Brasil, sendo que, resquícios dessas práticas estão presentes
nos dias atuais”, comentou Tatiane Virtuoso, coordenadora pedagógica da
secretaria de educação.
O título da palestra faz referência a
uma coleção bibliográfica coordenada por Jeruse Romão. A obra foi adquirida
pela Secretaria de Educação em 2015 e distribuída às escolas para auxiliar na
implementação da legislação. A palestrante ressaltou a importância de a
sociedade conhecer as suas lideranças locais. “É importante que o povo conheça
os sujeitos de sua história e que valorizem as diferentes identidades. Criciúma
precisa conhecer, por exemplo, a história de Clotildes e Vilson Lalau,” frisou
Jeruse.
Por meio da Lei nº 10.639 de 9 de janeiro de 2003 e a Lei nº 11.645 de 10 de março de 2008, foi incluída na Lei nº 9.394 de 1996 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional a obrigatoriedade do estudo da “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo escolar. A partir dessa definição, entende-se que a temática esteja contemplada em todas as escolas do território nacional. Dentro dessa perspectiva, a Lei inclui o estudo de diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras”.
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