quinta-feira, 24 de julho de 2025

História de Cocal do Sul

Memórias de José Aldo Furlan sobre a história do município de Cocal do Sul, em Santa Catarina.

Para assistir o vídeo, clique AQUI.

Visita realizada pelas turmas 701 e 702 da EEF Cristo Rei. Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer a casa do ex-prefeito José Aldo Furlan e ouvir relatos sobre o passado do município.

A atividade faz parte do projeto da  Feira Cultura que tem como tema os 140 anos de colonização de Cocal do Sul.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Rumo Certo conhece Caminho dos Conventos

Grupo de trilhas percorre caminho dos tropeiros criado há quase 300 anos, em Timbé do Sul 

O grupo de caminhadas e trilhas Rumo Certo, de Criciúma, promoveu uma imersão na natureza e na história ao conhecer o Caminho dos Conventos, em Timbé do Sul (SC), uma rota aberta por tropeiros por volta de 1730. O evento reuniu 18 pessoas no domingo, dia 6. Eles realizaram um percurso de aproximadamente 14 quilômetros entre ida e volta. Andaram cinco quilômetros até o topo do mirante e mais dois para chegar à Cachoeira da Sete Mulheres, atravessando a nova rota da estrada de chão que faz parte da Serra da Rocinha e que está em obras, em São José dos Ausentes.  

A trilha exigiu resistência, preparo físico e espírito de aventura dos participantes. “Tivemos um ganho de elevação de quase mil metros. A trilha tem bastante parte de taipas preservadas e sarjetas. Passamos pelo antigo paradouro que tem como referência o local onde era a cada casa da Nica. Pode ser feita somente com autorização do proprietário” informaram os guias Michel Crepaldi e Marcelo Crepaldi.

O ponto de encontro foi o Posto Aguiar Ipiranga. Após um breve deslocamento de carro de 4 km até o início da trilha, os aventureiros deram início à subida por volta das 7 horas. A jornada durou aproximadamente dez horas, incluindo paradas estratégicas e momentos de contemplação, como a visita à Cachoeira Sete Mulheres, ponto alto do passeio. “A trilha foi maravilhosa um domingo espetacular. Nos divertimos ao lado de bons amigos e muitas risadas. Trabalho em dois lugares, no café do Angeloni e no Mercado Althoff. O domingo é meu dia de lazer e sempre que posso estou em trilhas”, informa Deise da Luz.

Considerada de dificuldade média a alta, a trilha foi acompanhada por guias credenciados, contou com seguro aventura e ofereceu aos participantes instruções detalhadas sobre o que levar como mochila leve, lanche, água, roupas confortáveis, calçado apropriado e equipamentos de proteção.

O grupo Rumo Certo sempre reforça que é proibido portar ou consumir drogas, bebidas alcoólicas ou qualquer substância ilícita durante a trilha, garantindo um ambiente seguro e respeitoso para todos os participantes.

 Saiba mais sobre o Caminho dos Conventos

Em 2018 a palestra Caminho dos Conventos, uma abordagem da rota entre o Litoral e o Planalto Catarinense, foi proferida por Geraldo Barfknecht, geólogo e pesquisador de Curitiba (PR). O evento aconteceu na cidade de Bom Jesus (RS) durante o XIV SENATRO –Seminário Nacional sobre Tropeirismo,

A equipe formada pelos Senhores Ari Alexandre da Silva, Evandro Floriano Amandio, Edemilson Monsani e Anderson Jerônimo defenderam a tese de que o Caminho dos Conventos, criado pelos tropeiros no Brasil Império para ligar o litoral ao planalto catarinense, passava pela Serra da Rocinha, atualmente onde está localizada a Fazenda do Javai. Na oportunidade, a argumentação e fatos históricos levaram a definição de que realmente esse caminho, que foi aberto de 1728 a 1730, por Francisco de Souza Faria, passava por Timbé do Sul.

Os Municípios de Jacinto Machado e Nova Veneza também se fizeram presentes, defendendo a territorialidade desse caminho.

Os pesquisadores Carlos Solera e Eleni Cássia Vieira descobriram uma preciosidade em meio a tantos documentos arquivados na Biblioteca da Câmara de Curitiba. Solera relata que a aber­­tura do Caminho dos Con­­ventos, como ficou denominado, começou na região de Araranguá, Santa Catarina, em 28 de fevereiro de 1728, e só terminou em setembro de 1730, quando o trajeto desembocou no atual território de São Luiz do Purunã. A comunicação à Câmara de Vereadores de Curitiba sobre o término dos trabalhos aconteceu no dia 19 de setembro daquele ano". O trabalho foi realizado por 98 homens brancos, além de muitos escravizados e índios.

Eleni afirma que foi o primeiro caminho terrestre utilizado pelas tropas de muares, ligando a região Sul ao restante do país. A partir desse caminho, os tropeiros chegavam ao Paraná e depois rumavam para Sorocaba por meio da incorporação de caminhos já existentes que ligavam Curitiba ao atual estado de São Paulo e de lá podiam seguir para Minas. 

Referências:

Site da Prefeitura Municipal de Timbé do Sul

Gazeta do Povo

Paulo Hobold, A História de Araranguá. Reminiscências desde os primórdios até o ano de 1930. Porto Alegre : Palmarinca, 1994. Página 44

quinta-feira, 3 de julho de 2025

APRESENTAÇÃO DO TCC: BALSEIROS DO RIO URUGUAI

 

No dia 23 de julho apresentei meu Trabalho de Conclusão de Curso. Primeira etapa vencida porque agora existe uma segunda nos cursos de graduação da UniSatc. Seguirei com o tema sobre os Balseiros do Rio Uruguai no próximo semestre com foco nos Recanto do Balseiro, em Itá. Minha inspiração para este trabalho o neto e bisneto de balseiros, Nilo Brand.

Esta pesquisa buscou responder a seguinte pergunta: Como o Jornalismo Cultural é percebido nas matérias referentes aos balseiros do Rio Uruguai?

Agradeço a minha orientadora Claudia Nand Formentin e as minhas avaliadoras Nádia de Almeida Couto e Taize Pizoni de Souza.

Como minha caminhada no curso de jornalismo é longa, passei por vários momentos diferentes e cruzei com muitas pessoas que de alguma forma contribuíram com a minha formação. Guardo todas na memória e no coração!

domingo, 29 de junho de 2025

PRÊMIO MPSC

 Premiados

Na categoria de radiojornalismo, o primeiro lugar ficou com a reportagem “MP: uma instituição a serviço da sociedade”, de Marcos Andrei Meller, da Rádio Peperi FM, de São Miguel do Oeste. O segundo lugar foi para “Transformando Realidades: O Ministério Público no Combate à Violência Doméstica”, produzida por Valdi Júnior, Marcos Beleense e Joelma Patrícia, da Clube News FM, de Teresina. A terceira colocação ficou com “Violência contra a mulher em Joinville é alarmante, e iniciativas como o Navit, do MPSC, se destacam no acolhimento às vítimas”, assinada por Mariana Gonçalves Pereira e Marcos Pereira, da Jovem Pan Joinville.

Na categoria de jornalismo impresso e webjornalismo, o primeiro lugar ficou com a reportagem “Ataques às escolas: trabalho ‘árduo e silencioso’ do CyberGAECO previne tragédias em SC”, de Beatriz Rohde e Daiane Nora, do ND Mais Florianópolis. O segundo lugar foi para “Justiça por Elas”, de Eliz Haacke, do jornal O Município Blumenau. A terceira colocação ficou com “Corrupção de milhões: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC”, de Abinoan Santiago, Geovani Martins, Kauê Alberguini e Matheus Bastos, também do ND Mais de Florianópolis.

Na categoria de telejornalismo, o primeiro lugar foi para a reportagem “Programa Família Acolhedora recebe crianças e adolescentes afastados dos responsáveis”, de Deivid Morona, da NSC TV Criciúma. O segundo lugar ficou com “MPSC combate propaganda e venda de falsos tratamentos para emagrecimento”, de Márcio Falcão, Maguidiel Carlos e Ezequias Zacharias, da NDTV Joinville. A terceira colocação ficou com “Cobertura vacinal contra poliomielite cai e governo intensifica esforços de conscientização”, de Daniela Ceccon, Gustavo Karasiak, Alana Linhar, Leandra Cruber e Raffael Righez, da NDTV Florianópolis.

Na categoria de jornalismo universitário, o primeiro lugar foi para a reportagem “Marcas invisíveis: agressão psicológica predomina nas ocorrências de violência contra a mulher em SC”, de Fernanda Zwirtes e Nathaly Bittencourt, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de Florianópolis. O segundo lugar ficou com “Residências Inclusivas, Assistência Social e Ministério Público: ação conjunta pela dignidade humana”, de Ana Lúcia Pintro, do Centro Universitário SATC de Criciúma. A terceira colocação ficou com “Vítimas Deles: a cultura da violência contra a mulher”, assinada por Luís Gustavo Casagrande, Pedro Miguel e Luana Leonor Miguel, também do Centro Universitário SATC.

Solenidade

Estiveram presentes na solenidade de premiação membros do MPSC e autoridades do Estado, como o Presidente da Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP), Alexandre Estefani; Vanessa Cavallazzi, Procuradora Geral de Santa Catarina; Jorge Luiz dos Santos Mazera, Diretor de Relacionamento com a Justiça Federal da OAB/SC; Janiara Maldaner Corbetta, presidente da  Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) e a Tenente-Coronel Nycia Francielle Curcino Neto, chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC).

O presidente da ACMP Alexandre Estefani acredita que o Prêmio é uma forma de reconhecer a qualidade da imprensa catarinense e a importância do diálogo entre o Ministério Público e a sociedade. “Atingimos mais que o dobro de inscrições nesta segunda edição do prêmio, com a participação e premiação de veículos de várias regiões do estado, que se empenharam em produzir materiais jornalísticos de alta qualidade sobre a atuação do Ministério Público de Santa Catarina no estado. Isso nos deixa muito orgulhosos enquanto associação de classe”, destaca.

O texto é da Assessoria de Imprensa da ACMP.

 

sábado, 28 de junho de 2025

Mais do que uma prova de rua

 

A "Corrida dos Perebas" desperta a imagem de algo divertido, irreverente e com sinais de resistência. Nas ruas do bairro Abraão, em Florianópolis, esse evento ganhou o sentido da superação, da inclusão e da celebração da vida. A primeira corrida nasceu há 24 anos, por sugestão de um padre corredor. Mas, quem organiza e faz acontecer é Analto Romalino Cunha, conhecido como Pereba.

Vamos conhecer um pouco da sua história? Ele perdeu a visão de um dos olhos aos onze anos, envergonhado e discriminado, se fechou em uma gaiola. Descobriu o esporte aos 22 anos e tem em seu currículo 1586 participações em corrida e 96 em triatlo. Correr, pedalar e nadar o ajudou a voar pelo mundo e a encontrar seu valor pessoal.

Após uma década de provas de triatlo, travessias e maratonas, Pereba passou a dedicar-se exclusivamente a corridas rústicas de rua. As datas festivas como Carnaval, Páscoa, São João e Natal são motivos para ele reunir praticantes da atividade de todas as idades. O nome do evento sugere que a performance não é tão importante. Também evoca um certo senso de solidariedade entre os que não brilham em manchetes de jornais, mas que seguem firmes, correndo para sarar feridas, sem medo de ficar para trás e buscando amparo na alegria de compartilhar um prazer comum que dá valor à existência humana.

O que era uma brincadeira virou tradição. No último domingo de junho, aproximadamente 50 competidores aceitaram participar de uma corrida de cinco quilômetros. As dores que machucam as pessoas, também podem colocá-las em movimento. Lá estava uma mulher que começou a andar, e depois a correr, por sugestão médica para resolver o problema de labirintite. Lá estava o motorista de caminhão aposentado que buscou algo para afastar a depressão. Lá estava um jovem com deficiências físicas que são menores do que sua força de vontade. Lá estavam quatro homens internados em casa terapêutica buscando um prazer saudável que pode estancar os males que as drogas causam. Lá estava Pereba incentivando tanta gente a não parar a vida.

A estrutura do evento era simples e improvisada, mas funcional. As inscrições, com valor simbólico, demoravam por conta da conexão instável, que dificultava o uso de aplicativos bancários. As fichas dos corredores eram reaproveitadas, com corretivos cobrindo nomes de edições passadas. Os crachás com presilhas em bom estado eram escassos. Os números para colocar no peito eram escolhidos aleatoriamente em uma caixa de papelão. Troféus e medalhas vinham de sobras recicladas e doações. O prêmio principal era um saco de doces. Para quem não está acostumado, parece bagunçado, mas há ali uma lógica precisa de fazer o máximo com o mínimo. Ninguém reclama. Todos agradecem!

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Escola Cristo Rei conquista nove medalhas na Canguru de Matemática

 

Presente em mais de 80 países e com três décadas de história, o Concurso Canguru de Matemática Brasil integra o Brasil à comunidade internacional Kangourou Sans Frontières (AKSF). Cocal do Sul participou da 17ª edição. O desempenho rendeu três medalhas de prata e seis de bronze, além de dez menções honrosas. Os nove medalhistas estudam na escola Cristo Rei.

Lucca Da Rolt e Pedro Scarpato, 6º Ano, e Lívia de Lorenzi Wessler, 4º Ano, conquistaram medalha de prata com notas superiores a 95 pontos. Os três gostam de desafios de lógica e sabem resolver o cubo mágico. Livia vive numa família que como ela tem facilidade com os conteúdos matemáticos e diz não precisar se dedicar muito pra obter boas notas.

Foram premiados com bronze Gabriel Tezza Marcolino e Murilo Rosso Tavares, do 9º ano, Kamili de Bona Velho, do 8º ano, Miguel Feliciano Mateus e Rafael da Silva Rosa, do 6º ano, e Isabely Valentina Scheper Pereira, do 4º ano.

Todos os anos, professores de diversos lugares do mundo se reúnem para desenvolver as provas, que seguem os princípios da contextualização, criatividade e prazer na resolução de problemas. As questões da prova são elaboradas com foco no desafio intelectual, incentivando o engajamento e a descoberta de soluções de forma lúdica e contextualizada.

Todos os estudantes cadastrados receberam login e senha e podem acessar a área do estudante da plataforma Canguru. “Agora eles podem, junto com suas famílias, abrir um relatório de desempenho individual onde é analisado o índice de acerto das questões fáceis, médias e difíceis de cada um. Eles também podem verificar o próprio desempenho em relação ao número de acertos em álgebra, geometria, números e lógica”, informa a diretora Ediana Hoffman Maximiniano.



segunda-feira, 19 de maio de 2025

Celeiro da Expressão impulsiona trabalho coletivo e turismo de experiência

 

Arte com plantas desidratadas promove desenvolvimento sustentável com apoio de famílias da comunidade da Guanabara

Ana Lucia Pintro

Treviso

Foto: Nilton Alves

Legenda da foto 01: Florista aproveita plantas nativas e cultivadas, para criar guirlandas, buquês, arranjos duradouros e objetos decorativos.

Legenda da foto 02:  Famílias Lorenson, Piati e Ariati são parceiras no projeto do Celeiro da Expressão.

 Um Celeiro-Ateliê foi construído no Sítio Colline Di Fiori, localizado na base do morro do Chapéu do Mago, conhecido também como bico do Garrafão. Antigos colonizadores, imigrantes italianos, chamavam a região de Vale del Mago. Com o passar do tempo, passou a se chamar Guanabara. Para chegar lá é preciso trafegar pela rodovia Valdemago até passar pelo portal de entrada que destaca os cem anos de história do lugar, distante a cerca de onze quilômetros do centro da cidade.

Na paisagem verde, destacam-se uma casa amarela e um celeiro de madeira. Imponentes paredões da Serra Geral cercam as construções. A propriedade está localizada na divisa da Reserva Biológica Estadual do Aguaí, perto de uma das áreas de recarga do aquífero Guarani, onde correm as águas do rio Congonhas. É neste paraíso que mora uma psicóloga e florista que tem flor até no sobrenome, Siomara Floriani. Já faz três anos que a mulher do carro laranja chamou a atenção dos moradores do Vale Del Mago.

Siomara teve um consultório de psicoterapia familiar durante 25 anos em Curitiba, capital do Paraná. Morou 12 anos em Urubici, na serra catarinense. No entanto, a paisagem e as belezas naturais de Treviso a tocaram profundamente. Um dia, um casal de amigos a levou até aquele lugar. Quando ela viu, foi tomada por uma emoção intensa, sensação de transbordamento, chorou sem entender o motivo e sentou-se no chão, em silêncio, com a certeza de que aquele seria seu novo lar. Descobriu que a propriedade não estava à venda. Era terra herdada por muitas gerações.

Mesmo assim decidiu morar naquelas bandas e alugou uma casa na comunidade da Forquilha. Visitou mais de dez sítios, fez propostas para comprar e nenhum negócio foi fechado.  Os donos da terra desejada a procuraram algumas vezes, queriam aconselhamento psicológico, devido a sua formação profissional. Em uma dessas visitas, eles colocaram a escritura em suas mãos. Ofereceram os 28 hectares, muito mais do que os dois que ela sonhava, por isso 95% da área pode ser destinada para preservação. Estabeleceram um preço justo e deram prazo. A surpresa veio dos dois filhos, que pediram para participar da compra. O gesto marcou o destino, pois agora a terra não era só dela. Iniciava uma nova história familiar.

Quando Siomara fez a mudança, havia uma casinha rosa nunca habitada, cercada por arame farpado e animais soltos. A terra era arrendada para a criação de gado. Antes, usava-se grande quantidade de veneno no pasto, prática que contrariava a proposta da nova proprietária de preservar e cuidar da área. O gado e o veneno saíram e deram lugar às flores e muito trabalho braçal para vencer o que as ervas daninhas que os moradores chamam de imundiça.

Arte com flores e elementos espontâneos.

A florista aprendeu a lidar com as plantas intuitivamente e na prática. Em 2011, quando morava em Urubici, atendendo a um pedido, reuniu capins e flores e os prendeu com um barbante. Os clientes gostaram. Ela nunca mais parou.

A colheita das flores é feita no ponto ideal de maturação, os maços são preparados e secos naturalmente em local ventilado e sem luz direta, sem uso de produtos químicos ou tingimentos. Cada haste, cápsula de cedro ou folha dourada de milho é tratada com cuidado antes de se transformar em guirlandas, buquês, arranjos duradouros e objetos cheios de significado. “Aprendi a trabalhar com flores silvestres, macela, pendão de milho, aveia, azevém, sementes, trigo selvagem, casca de palmeira, capins, cipós e outros elementos naturais. Fui testando o que seca bem, o que se desmancha e o que pode ser aproveitado.  Os produtos, feitos com flores desidratadas e materiais sustentáveis, carregam não só beleza, mas também a energia do tempo, da terra e das mãos da comunidade”, comenta Siomara.

Mãos unidas… criam maravilhas

Siomara bateu nas portas das casas dos vizinhos das famílias Lorenson, Piati e Ariati em busca de ajuda para roçar e abrir trilhas na floresta. Foi o começo de uma história que despertou no grupo um novo olhar para a vegetação nativa e para a importância do cultivo sustentável, além, de promover um trabalho colaborativo e ressignificar o sentido das relações humanas. Quando tem evento todos se mobilizam para roçar o terreno, limpar o Celeiro, organizar o estacionamento, produzir os alimentos, organizar as vendas e preparar cajados para as trilhas.

A florista destaca que a parceria com as famílias é tão forte que basta lançar uma ideia para que todos se animem e colaborem. Os casais atuam em diferentes frentes do projeto, assumindo responsabilidades que se complementam para a organização dos eventos. Ela faz questão de esclarecer que o envolvimento das três famílias não surgiu de um projeto previamente idealizado. “Não houve planejamento, imposição ou busca deliberada por parceiros. Tudo aconteceu de forma natural. Fomos nos aproximando aos poucos. Eu fui sendo acolhida e acolhendo à medida que reconhecia os talentos e as habilidades de cada um”, comenta.

Vizinhos parceiros

Rodinei Lorenson é aposentado, trabalhou durante quinze anos no subsolo da Carbonífera Metropolitana. Sempre morou no sítio onde nasceu. Cria gado, porcos e galinhas. Cultiva batata-doce, milho, abóbora e mantém uma horta farta. A produção é destinada ao consumo familiar.  Sua primeira resposta ao pedido de ajuda, foi: “Não conte comigo, já tenho muito trabalho”. Mudou de ideia. Ele construiu a garagem da casa e o celeiro que Siomara necessitava para desenvolver sua arte. Também confecciona vassouras, cestas e tabuleiros. Além disso, prepara uma receita de família conhecida como campari.

Siomara diz que Rodinei é um arquiteto da natureza pela forma que ele entra na mata e os cuidados que tem com as plantas. Mesmo sem nunca ter trabalhado como pedreiro ou marceneiro, ele mostrou suas habilidades na engenharia civil. Rodinei planejou e construiu o Celeiro. Demorou um ano para ficar pronto. O espaço principal mede 14 metros de comprimento e 6 metros de largura. O projeto prevê uma área de 126 metros quadrados. A cozinha e as varandas fazem parte da próxima etapa.

Ele próprio colheu os eucaliptos e cortou as estruturas como troncos, tábuas e tesouras. Preferiu trabalhar sozinho, sem ajudantes fixos, contando apenas com a colaboração de outras pessoas em fases mais complicadas da obra. “Eu queria construir um espaço artesanal para meu trabalho com flores. Pedi que fosse feito com madeira, pedra, vidro e tábuas largas no assoalho. Quando eu perguntei onde poderia comprar pedras, ele olhou pra mim, riu, saiu e voltou com o trator cheio”, conta Siomara.

Sandra Losso Lorenson, esposa de Rodinei, conta que sentiu uma emoção muito forte no dia que viu o caminhão de mudança da florista passando. Secando as lágrimas, faz questão de expressar o valor da amizade que surgiu e das experiências que juntas viveram. “Eu não sei fazer misturas e comidas boas. Descobri que o meu talento é a faxina e a organização. Nunca pensei que um dia eu fecharia minha casa e sairia limpando a casa de outra pessoa, mas descobri que isso me faz bem.”

Janice Piati e Rosana Ariati, irmãs de Rodinei, contam com o apoio dos maridos, Dino Piati e Adilso Ariati, que também colaboram nas atividades em torno do Celeiro.

Janice e Dino contribuem plantando estatices, sempre-vivas e linho e também se dedicam à culinária regional preparando cafés e almoços. Eles são os responsáveis pela produção de pão caseiro, salame, conservas, compotas, doces, cavaquinhos salgados e pela tradicional crostata italiana. “Trabalhei durante 28 anos na mineração. Eu e minha esposa temos experiência em servir almoços que organizamos na comunidade. Pensei em descansar, mas fui atraído a colaborar com este projeto. Fiz até um curso de turismo rural”, informa Piati.

Rosana faz bolachas com a farinha de milho que ela mesma produz e as recheia com goiabada ou doce de leite. No entanto, a grande atração são as versões com flores comestíveis. Após testar uma receita compartilhada, passou a cultivar begônias, amores-perfeitos e brincos-de-princesa para enfeitar seus produtos. “Esta não é nossa principal renda. Fazemos por prazer e nos sentimos seguros com as orientações recebidas da Siomara”.

O último colaborador chegou a menos de um ano. Elio Cagnato, geógrafo, acompanha os visitantes nas trilhas e apresenta os elementos da natureza. Vivendo na região tem aprendido muito com os moradores locais. “Estou aprendendo uma nova forma de viver e de compartilhamento de talentos com esta comunidade. Todo dia um novo desafio e novas experiências são apreendidas”.

Agenda de visitas

A abertura do Celeiro para a comunidade aconteceu na primavera de 2023, durante um evento organizado pelo Instituto Alouatta, que reuniu especialistas e entusiastas para a observação de aves. Depois disso foram recebidos mentores que acompanham pessoas em transição de carreira, ensaios fotográficos e pessoas de diversos lugares.

Interessados podem agendar visitas ou vivências em grupo, com propostas de caráter intimista e afastadas do turismo de massa. Os horários são pensados para permitir um acolhimento tranquilo, com tempo para sentar, conversar ou simplesmente apreciar o silêncio e a beleza do lugar. As atividades incluem visitas ao celeiro, trilhas sensoriais que podem ir até a cachoeira e a degustação de um café ou almoço com culinária típica local.

Agenda e reservas podem ser acessadas pelo principal canal de comunicação que é o Instagram: @siomara.floriani.