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| Foto: Luís Marques |
Um grupo de 45 pessoas caminhou por
cinco quilômetros pelos trilhos e estradas do distrito Estação Cocal de Morro
da Fumaça, neste sábado, dia 19. A 3ª Camminata Fotografica: nos Trilhos da
Estação foi organizada pelo Foto Clube Urussanga em parceria com o Movimento
pela Paz da Estação Cocal. “O objetivo deste encontro é registrar as paisagens,
a arquitetura histórica e a nossa cultura por meio da fotografia.
Posteriormente compartilharemos este trabalho com a comunidade organizando uma
exposição”, explicou um dos organizadores, Guilherme Meneghel.
A importância do Clube de Foto como
espaço de troca de conhecimentos entre os amantes desta arte foi ressaltada
pelo argentino Juan Russo, fotógrafo profissional. “Urussanga tem a única associação
do sul catarinense. A fotografia se popularizou com o acesso às tecnologias. No
entanto, temos muito que aprender uns com os outros e este movimento nos ajuda
a treinar o exercício do olhar e a aprimorar técnicas e o entendimento da
mecânica da fotografia”, frisou Russo.
Os participantes, de idades e profissões
diferentes, partiram da antiga Villa Stazione, conheceram as comunidades de
Vila Rica e Linha Pagnan e reuniram-se para um piquenique em frente ao Capitel
Santo Antonio. Dário Alves Batista, de 84 anos, gosta de estar com gente jovem.
“Aqui não se fala em remédio, em doença e nem mal dos outros. Conheci uma
pessoa que fez o Caminho de Santiago de Compostela, falamos de nossos
sentimentos e da vida. Isto me motiva a fazer parte destas ações e não me deixa
cansado”.
Otávio
Soratto: memória viva da comunidade
O café da manhã no pátio da casa do
senhor Otávio Soratto foi enriquecido com relatos do passado. Seguem trechos
que apresentam lembranças e mostram a vivacidade deste morador de 99 anos,
quase centenário.
“Eu vivia só de caça. Caçava veado, paca
e muita jacutinga. Guardava na banha para conservar, mas muita carne estragava
porque não existia geladeira. Tinha muito charque produzido na serra.
Naquele tempo não tinha caminhão, eram
todos tropeiros. A estrada era em outro lugar. Por ela passavam 200 a 300
porcos que vinham da serra a pé. Os tropeiros iam à frente jogando milho.
Quando o transporte era gado, conduziam a cavalo e com cachorro.
O meu pai construiu o engenho de farinha
de mandioca. Eram descascadas com uma faca. Eu tinha uns 10 anos quando passou
o primeiro avião por aqui. Todos saíram assustados do engenho para ver e
deixaram queimar a farinha.
Em 1936, com 17 anos, fui trabalhar em
São Paulo na construção de estradas de ferro. Embarquei em Imbituba e fiquei três noites e três dias dentro do
mar, vendo céu e água.
Quem ganhou a licitação para construir a
estrada de ferro da Esplanada à Urussanga foi o pai do ex-deputado Ademar Ghisi.
Ribeirão de Areia foi colonizado antes
de Estação Cocal. Aqui era um Amazonas. Um dia fiz uma maca no alto de uma
árvore e de lá via uma onça embaixo.
Não adianta mais criar porco pra vender
porque ninguém compra. Nem ovo, nem queijo não se vendem mais. A banha de hoje
não coalha, antes entortava a colher quando íamos retirar da lata.
A minha comida é o peixe. È a comida
mais saudável, até Deus comeu. Hoje não tem mais nada natural para comer.
Se todas as pessoas fossem como vocês,
não precisava de prisão. A gente poderia dormir de janela e porta aberta, sem
ficar com medo.”
Para assistir o vídeo gravado como senhor Soratto, clique AQUI.
Para assistir o vídeo gravado como senhor Soratto, clique AQUI.

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