A 9ª edição do evento Caminhantes do Sol
reuniu 130 praticantes de ecoturismo que andaram durante seis horas num
percurso de 12 quilômetros pelas ruas, estradas e trilhas de Nova Veneza. O
evento foi realizado neste sábado, dia 13. Estiveram presentes pessoas dos três estados do sul,
destacando-se Florianópolis e o percentual de mulheres que foi de 76%. O evento foi organizado pelo Instituto Allouata, pela operadora de turismo Roteiros do Sul e pela Associação Neoveneziana de Turismo (ANET).
Em alguns trechos do caminho foi preciso caminhar
em fila indiana para desviar o chão encharcado, não enfrentar diretamente a
vegetação e ter espaço para buscar apoio nos troncos das árvores. Um tambor era
passado de mão em mão para ser tocado, fazendo alusão aos índios Xoklengs que
foram os primeiros habitantes das serras catarinenses. Segundo o presidente do Instituto
Allouata, Paulo Cadallora, é importante valorizar as pessoas que construíram a
história da região. “Nosso objetivo é trazer mais gente para conhecer as
belezas naturais, a história, a gastronomia e cultura do lugar onde vivemos”,
comentou Cadallora.
O caminho da estrada centenária os
levou até às casas construídas com barro e pedra de basalto no final do século
XIX. O grupo Musical Eco di Venessia e os proprietários Ângelo Bortolotto e
Nirlan Bortolotto fizeram a recepção. Ao lado deles estava o sobrinho e primo,
Sérgio Sachet Júnior, com o filho de quatro meses no colo. Ele não conteve as
lágrimas ao recordar os tempos que visitava os avós e ouvia as histórias da
época da colonização. Frisou a necessidade de divulgar e preservar o patrimônio
histórico local visando fortalecer a cultura. Comentou sobre a vida dura que
seus antepassados tiveram e que não se pode julgar as ações deles naquela época
porque não se conhece detalhes da realidade que viveram. “É difícil controlar a
emoção que estou sentindo. Nasci em Florianópolis, mas passei muitos dias da
minha infância neste lugar. Meu filho é a quarta geração de italianos e minha
emoção maior é porque a caminhada veio para cá justamente quando ele nasceu. É
muito forte minha ligação com esta casa, com a minha família e o amor por esta
terra”, comentou Sachet.
A chefe do Grupo de Escoteiros
Leão Baio de Treviso, Silvana Pessi De Mach, acompanhou dez dos seus membros.
Dentre eles, estava Ana Clara Tournier, 11 anos, que considerou a trilha um
pouco cansativa porque teve que subir muitos morros antes de entrar
no mato. Ela explicou que buscou sentir-se segura apoiando-se na mão de outras mulheres
e usando o cajado do amigo. Também afirmou que prefere mais caminhar no barro
do que na poeira. “O barro é mais legal porque faz a gente se sujar e a poeira
é ruim porque faz a gente tossir, disse a escoteira.
Os caminhantes foram recepcionados pelas
personagens do Carnavale di Venecia, no Palazzo Delle Acque com um café
colonial.



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