A agência Rota Ecoturismo
e Aventura, de Urussanga, organizou a 2ª Caminhada da Imigração no interior de
Pedras Grandes. O percurso de 14 quilômetros iniciou na comunidade de Azambuja
e seguiu em direção à Urussanga até o Recanto San Luigi, próximo à igreja de Rancho
dos Bugres. O evento que reuniu aproximadamente 60 pessoas neste domingo, dia 19,
encerrou com um almoço típico italiano feito com produtos da região.
O historiador Breno Anastácio
Pereira explicou que Azambuja foi escolhida como ponto de partida porque recebeu
os imigrantes italianos, desde 1877. Os registros históricos relatam que eles saíam
da região portuária de Gênova, na Itália. Embarcavam num navio a vapor que demorava
25 dias para cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro. Depois viajavam
em outro barco até a cidade paulista de Santos e finalmente para Desterro, atual
Florianópolis. “Ficavam na capital do nosso estado por uns dez dias e em barcos
menores eram levados até Laguna onde velhas barcas os transportavam até Tubarão.
Lá descansavam num barracão para enfim, fazer mais uma jornada de três dias caminhando
até este lugar chamado Azambuja. Daqui iam para o núcleo colonial de Urussanga
pela estrada que andamos hoje”, explicou Pereira.
As ruínas da Casa-Forte
do Rancho dos Bugres é a principal atração do caminho. A antiga construção de
pedra foi descoberta em outubro de 2017. Os proprietários resolveram reformá-la
e descobriram que a argamassa revestia um patrimônio histórico desconhecido. O
ano de 1904 e as iniciais do proprietário Vicenzo Savi Mondo destacam-se na
fachada. “Esta construção é de pelos menos uns 80 anos antes desta data. As pesquisas
são recentes, não sabemos muito, pode ter sido construída por um engenheiro
militar. É provável que aqui funcionou um posto de registro e de controle de
passagem de pessoas e do trânsito de mercadorias no trajeto entre o litoral e o
planalto catarinense”, explicou Willian Marques, um dos sócios da agência.
Metade dos caminhantes são
membros do grupo Ande Bem Com a Vida - Abevi. O grupo surgiu há 18 anos, tem 110
membros e uma faixa etária média superior há 50 anos. O bancário aposentado Alcioni
José Rabelo, conhecido como Zico, programa as atividades. Ele não lucra, paga
as próprias despesas e cobra apenas uma taxa anual para cobrir os custos com o
planejamento. “Doamos o dinheiro que sobra para alguma instituição beneficente.
Faço isso pelo prazer de reunir as pessoas. Não paramos e sempre digo que vamos
morrer sem conhecer todas as trilhas que existem num raio de cem quilômetros de
Criciúma”, enfatizou Zico.
Interessados em conhecer
este roteiro podem entrar em contato com a Agência Rota Ecoturismo e Aventura
pelo celular (48) 99936-4388.


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