A
espera de Criciúma por uma medalha de ouro na mais importante olimpíada de
matemática do país demorou quatorze anos. Júlia Antunes Américo, Christian Giuliani
Cypriano e Vanderval Borges de Souza Junior tinham uma chance em 36 mil e mostraram
seus talentos na 14ª Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP. Os três
fazem parte da delegação formada por 40 estudantes do Ensino Fundamental e
Médio que estudam nas escolas públicas de Santa Catarina. Nesta segunda-feira, dia
8, serão premiados 500 estudantes, em Salvador, na Bahia.
Christian,
15 anos, receberá a oitava medalhada por suas habilidades matemáticas. Ele já conquistou
uma de bronze e uma de prata na OBMEP, além de uma de prata e quatro de ouro no
prêmio ACIC de matemática. Devido aos bons resultados ganhou uma bolsa de
estudos e está cursando o Ensino Médio na SATC. O estudante se preparou estudando
provas das edições anteriores e participando do clube de matemática da escola. Confessa
que se sente muito bem recompensado por receber este prêmio por algo que se dedicou
muito. Acredita que a matemática pode ajudar na sua formação acadêmica e a ter
uma profissão com a qual se identifique. “Eu não vou participar da cerimônia. Minha
mãe não autorizou porque ficou com medo de me deixar viajar de avião. Quando ela
se arrependeu eu havia perdido o direito ao passaporte. Mas, passei para a segunda
fase deste ano. Ainda tenho três chances de conquistar ouro e vou me esforçar
para isso,” comentou Christian.
Júlia,
13 anos, estuda no 8º Ano do Colégio Marista. Quando foi premiada era aluna da
escola municipal Jorge da Cunha Carneiro. No seu histórico há uma menção honrosa
na OBMEP, uma medalha de bronze na Olimpíada Canguru e uma medalha de ouro no Prêmio
ACIC de Matemática. A estudante planeja ser atriz e ajudar financeiramente organizações
que cuidam de animais, além de auxiliar pessoas doentes e necessitadas. “A matemática
me dará acesso às boas faculdades. Me sinto feliz e fiquei surpresa com as premiações.
Já ganhei cesta de natal e bolsa de estudos”, comentou a adolescente.
Vanderval
Borges de Souza Junior, 17 anos, já recebeu quatro medalhas em premiações da
Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP. Ele foi
premiado com duas medalhas de bronze em 2013 e 2016 e outra de prata em 2017.
Sua primeira medalha de ouro foi conquista em 2015 e a recebeu numa cerimônia
realizada no Rio de Janeiro, representando Içara. No ano passado ele conquistou
novamente ouro quando cursava mecatrônica no IFSC de Criciúma. Neste ano, iniciou
bacharelado em matemática na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. “A matemática
nos ajuda em diversos aspectos da nossa a vida. Seus benefícios não se
restringem ao seu uso cotidiano, ao qual geralmente a matemática financeira é
associada, e nem ao desenvolvimento de tecnologias, o que pode, por vezes,
parecer distante de nosso campo de utilidade. A matemática ultrapassa esses
horizontes pois nos ajuda a desenvolver uma espécie de raciocínio lógico que
pode ser utilizado em quase todos os momentos de nossa vida e nos ajuda a mudar
a maneira como vemos o mundo”, comentou o bicampeão.
Os
premiados da região sul estão sendo acompanhados pelo professor Lício Bezerra, coordenador da
OBMEP em Santa Catarina. Estarão presentes no evento, além dos familiares, a
Secretária Municipal de Educação de Criciúma, Roseli De Lucca Pizzolo, as
diretoras Denise Daminelli e Daniele Fusinato, as professoras Fátima de
Oliveira e Karine Morotskoski e a coordenadora do Colégio Marista, Karin Reis
Remor.
A
homenagem aos medalhistas de prata e bronze será realizada no dia 7 de agosto,
na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – em Florianópolis.
Um
dos hexacampeões homenageados é de Braço do Norte
Igor
Michels, 18 anos, estudante de Braço do Norte, é um dos hexacampeões da OBMEP.
Conquistou seis das sete medalhas de ouro possíveis. Ele finalizou o Ensino
Médio e atualmente cursa matemática aplicada na Fundação Getúlio Vargas, do Rio
de Janeiro.
Em
2012, quando estudava no 6º ano da Escola Básica Municipal Professor Antônio Rohden
ganhou uma medalha de bronze que o motivou a estudar matemática. Para tanto,
foi fundamental ter participado do Programa de Iniciação Científica – PIC –
realizado no polo de Criciúma sob a coordenação do professor Lucas Spillere
Barchinski.
Em
2013 recebeu a primeira medalha das mãos da ex-presidente Dilma Rousseff, no
Rio de Janeiro. Teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Arthur Ávila, o
ganhador da medalha Fields, prêmio Nobel da Matemática. “A Fundação Getúlio
Vargas me convidou oferecendo uma bolsa de estudos, me preparei, fiz o
vestibular e passei em 20º lugar. Moro com gente de vários estados do Brasil
num hotel da fundação. É uma mistura de culturas, tenho com quem conversar e
muitas amizades boas. Devo isso tudo à OBMEP que realmente pode mudar a vida de
umas pessoas”, comentou o hexacampeão.



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