Dois carros particulares e nove
aventureiros. O destino final era a comunidade de Serra Furada, em Grão-Pará. Percorreram
quase cem quilômetros de Criciúma até a Pousada das Pirâmides localizada ao
final do caminho. Do centro da cidade de Grão-Pará até a pousada são 21
quilômetros percorridos por uma estrada cheia de curvas, com pequenas subidas e
descidas e revestida de terra arenosa. O objetivo deles era andar pelas
estradas que um dia serviram para que tratores e caminhões adentrassem a mata
para retirar árvores e que foram utilizadas pelos tropeiros. Eles queriam colocar
o corpo em movimento, admirar e se conectar com as belezas naturais do local.
Foi este o programa do sábado, dia 13, do grupo Sintonia com a Natureza, mas é
mais conhecido como grupo do Elio Wessler.
O representante comercial Elio Wessler é
um dos pioneiros em fazer trilhas na região sul catarinense. Aos 24 anos iniciou
uma caminhada que já dura 32 anos. Sua temporada inicia em abril e termina em outubro,
fazendo mais de quinze trilhas por ano quando o tempo colabora. Este é seu
programa nos fins de semana e também das pessoas que fazem parte do seu círculo
de amizades. A esposa Marli Gomes Wessler, com que é casado há 29 anos, e as
filhas Patrícia e Tatiana participaram de muitos acampamentos e trilhas. Quase
sempre está acompanhado por Joelson Clóvis da Silva, contador, e Adalto
Furlaneto, analista administrativo financeiro. “Cada um de nós tem uma
característica. Eu canto, o Adalto costuma recolher lixos e o Joelson espalha
sementes. Tenho amigos que já pararam, outros que entraram. Minha esposa parou
por um tempo e recomeçou há cinco anos. Desde o ano passado está sempre junto.
Não trabalho com turismo, faço isso porque sou apaixonado por esta atividade”,
comentou Wessler.
Ramona Furlaneto, 11 anos, mesmo com o
braço engessado caminhou por mais de quatro horas ao lado do pai Adalto. “A
gente foi e voltou pelo mesmo caminho. Eu queria ter voltado por outro pra ver
mais coisas bonitas. O que mais gostei neste lugar foram as montanhas que
parecem pirâmides”, disse a caçula da turma.
Wessler recorda que na época que começou a
explorar os caminhos no meio do mato, encontrava muitos caçadores de pássaros e
de animais como gato-do-mato por causa da pele e de tatu para alimentação. “A
gente tinha medo de bala perdida, eram muitos tiros. Lembro do início com
muitos bichos, pássaros cantando, depois eles sumiram por causa da depredação.
E, eu dizia que chegaria o dia que eles voltariam e isso está acontecendo. Felizmente
o ser humano parou de matar e eles estão se reproduzindo”, comentou Élio.
A Trilha dos Tropeiros foi uma das
primeiras e consta 32 vezes no seu histórico de aventuras. Em suas lembranças
estão as cordas, usadas como alça da mochila, que cortaram seus braços. Para
aliviar o peso jogou fora um pão de milho que ganhou da irmã. Era comum
encontrar tropeiros conduzindo o gado. Este caminho foi um dos que mais o marcou
por causa da enchente de 1995. Esta data registra um momento trágico para a
comunidade de São Pedro, na divisa de Siderópolis e Nova Veneza. Wessler passou
muitas vezes ao lado da casa de Selino Vieira, conhecido como Nenê Cação, que não
morreu porque estava na serra. O neto dele, Anderson Rufino Vieira, foi o único
sobrevivente entre os que que estavam na casa. Na época era um menino de 11
anos, que foi arrastado pela correnteza e ficou preso em galhos caídos, com a
água batendo no pescoço, até o amanhecer e conseguir buscar ajuda. “Foram dez
pessoas da mesma família que morreram afogadas. Tenho fotos de antes e depois,
não dava para identificar direito o lugar, muitas pedras e troncos rolaram. Foi
um momento muito triste”, lembrou Wessler.

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