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A palavra utopia
começou a fazer parte do meu vocabulário quando eu cursava o 2º Grau (Ensino
Médio) no Colégio Olavo Rigon, em Concórdia, no oeste catarinense. Lembro que a
gente falava muito sobre um lugar ou estado ideal, de completa felicidade e
harmonia entre os indivíduos. Sempre reforçado que era algo imaginário, que não
poderia existir de verdade.
Senti muita alegria enquanto eu preparava a barraca, o colchonete, comida, as
roupas, comidas e produtos básicos para este fim de semana. Foi tudo perfeito e
estranhamente voltei sentindo vontade de chorar. Não fico chateada quando sinto
tristeza porque isso me torna mais humana. Talvez eu esteja sentindo isso
porque pensei no significado de utopia. Sei que quando este sentimento passar
estarei um pouquinho mais forte para a vida.
Não tenho família perto, tenho colegas de trabalho, de faculdade, de trilhas e
da vida. Não gosto de lembrar que estou longe dos meus irmãos, dos meus
sobrinhos e da minha mãe. Não quero sentir culpa por isso. Eles têm o lugar
deles em meu coração, apesar de não ter minha presença constante e nem eu a
deles. Geralmente, volto das trilhas e escrevo matéria, hoje parece que estou
escrevendo no diário que um dia fez parte da minha vida. As ideias não estão
conectadas. Mas, esta sou eu tentando dar sentido à minha existência enquanto
eu tiver forças para conversar, caminhar, conhecer pessoas novas e aprender. Em
muitos momentos, quando o cansaço vem penso que deveria ficar em casa. Mas,
quando a mente está ocupada com lembranças deste tido, penso que este é o caminho
da salvação.
Pensei na minha família porque gosto muito de ver a relação da Luciana com as
filhas Monique e Olívia. Uma mãe que desbravou lugares para levar os filhos nos
fins de semana e oportunizar que tenham contato com a natureza.
O acampamento foi armado no Vale da Utopia, em Palhoça. O mar sempre traz paz.
Dormir num lugar como este é inesquecível. O churrasco servido, o violão do
Bruno, as aranhas andando na grama que somente a Olívia percebia, os sotaques
diferentes em grupo tão pequeno, o céu estrelado, as ondas batendo nas
rochas...
Fui de carona com a Carine e o Lucas. Conheci os mineiros Fernando e Hugo.
Senti a energia boa do violeiro Bruno, do Carlos e da Mônica, apesar de não ter
me aproximado tanto deles. Gosto muito do jeito tranquilo do Ulisses que já
conheço de outras trilhas. Fiquei interessada em acompanhar as aventuras que o
Raphael Figueiredo fará em breve. Ele acabou de pedir demissão do exército para
andar pelo mundo e criou o blog “Pensando fora da gaiola”. Por algumas horas
estivemos de alguma forma conectados. Acho que é este mistério que traz estes
sentimentos que não entendo.
O local do camping é uma propriedade particular. O Seu Mema foi cobrar os vinte
reais de cada um antes de anoitecer. Conversamos por muito tempo. Ele contou
que o nome do lugar era Praia do Maço, que foi o bisavô dele quem comprou
aquelas terras. Ele planeja melhorar a estrutura do lugar. Por enquanto tem
apenas banheiros e chuveiros, não tem energia elétrica (usam um gerador), os
barcos trazem os produtos e levam o lixo e um bar que ele construiu a 27 anos.
Muitas pessoas de Curitiba procuram o local. No final do ano tinha 2 mil
pessoas acampadas, mas passou de 4 mil festejando a virada do ano. Enfim, ainda
voltarei lá para gravar uma entrevista com ele!
Outra pequena aventura foi fazer a trilha da Pedra do Urubu, na Guarda do
Embaú. É uma trilha relativamente fácil que premia com um visual deslumbrante.
Eu ia desistir de subir em uma das pedras, mas quando se está com aventureiros,
não te deixam desistir e a recompensa vem se o desafio é aceito.
Faz tempo que eu falo que “Deus me pegou no colo”. É muito estranho ver muitas
coisas que penso se concretizando. Estou produzindo um documentário na
disciplina de Produção Audiovisual (curso de jornalismo da SATC). Escrevi o
roteiro para entrevistar quatro pessoas, eu não havia convidado a Luciana, mas
meu coração queria. E, sem planejar muito estive com ela e gravei a entrevista.
Qualquer pessoa vai achar que isso não tem nada de mais... Eu sei que não é
verdade. Talvez, meu ceticismo esteja sendo quebrado aos poucos.
Caminhar é preciso... com menos utopia e com mais esperança de encontrar os
tesouros escondidos pelos jesuítas na Guarda do Embaú.
CONTATOS
Vale da Utopia (Praia do Maço): Mema:
48 99608-1215
Contato Sou Trip Ecoturismo: Instagram
@soultripecoturismo
Blog: Pensando fora da gaiola



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