sexta-feira, 22 de maio de 2020

A busca pelo isolamento não ficando em casa


Recomendamos que você não faça nenhum esforço físico durante as próximas 24 horas! Esta foi a recomendação que ouvi no Hemosc de Criciúma depois de doar 470 mililitros de sangue. A lembrança veio à tona quando a pressão começou a baixar enquanto eu subia a trilha do Engenheiro, no município de Grão-Pará. Eu já sabia que no dia 16 de maio estaria com o grupo Sintonia com a Natureza desafiando as subidas tortuosas que nos levariam mais perto das nuvens. Mas, por que razão não conectei a orientação com a trilha programada antecipadamente? Provavelmente, porque assim como os outros dez participantes, eu estava cansada de ficar em casa respeitando a ordem de isolamento social exigida pela pandemia do coronavírus.
O criciumense Élio Wessler, líder do grupo, substituiu o abraço com o desejo de boa trilha por um soquinho. Éramos seis dentro da camionete, ninguém usava máscara. O carro da frente teve dificuldades para ultrapassar certo trajeto, três homens mascarados o empurraram. Há uma tentativa de ter disciplina, um sentimento de respeitar o isolamento, desde que possa ser feito nas montanhas do Parque Estadual da Serra Furada.
Músicas antigas e alegres espantavam as lembranças das notícias do mundo. A imagem esférica, colorida e até encantadora da proteína do vírus que paralisou a vida social desapareceu diante de um cenário verde. Todos queriam sentir o bem que faz o ar entrando em seus pulmões e não estavam interessados no mal que podia bloqueá-los a qualquer momento.
A experiente Margarete Teles, secretaria escolar, 53 anos, devia estar voltando de uma trilha na Europa. Teve que adiar os planos de sair de Santiago de Compostela e ir até Fátima, em Portugal, levando na mochila o necessário. Ela já percorreu os 800 quilômetros de Santiago de Compostela, na Espanha, e os 50 quilômetros da trilha Inca primitiva, no Peru. Estas viagens incríveis não tiram a emoção que sente em contemplar as montanhas batizadas de pirâmides e o caminho que faz referência a um engenheiro que trabalhou na região.
O menino Enzo Teles Rodrigues acompanhou a tia Margarete Teles. A menina Ramona acompanhou o pai Adalto Furlaneto. Ambos superaram os desafios sem reclamar. Sentados sobre as pedras de um pequeno lago brincaram enquanto os adultos preparavam um churrasco. Laços familiares se fortaleceram ao lado dos laços de amizade.
Diego Zanette Vitali, 38 anos, prestador de serviços na área de transportes em Nova Veneza, teve uma atitude inusitada. Levou uma taça e vinho para apreciar um momento diferente. Para ele, a sensação foi mágica, e decidiu que em todas as próximas aventuras a repetirá.
Algumas ordens não foram respeitadas. Porém, se fossem obedecidas, não voltaríamos muito melhor do que fomos. E, nos despedimos celebrando a vida com soquinhos que abraçavam!

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