Recomendamos que
você não faça nenhum esforço físico durante as próximas 24 horas! Esta foi a
recomendação que ouvi no Hemosc de Criciúma depois de doar 470 mililitros de
sangue. A lembrança veio à tona quando a pressão começou a baixar enquanto eu
subia a trilha do Engenheiro, no município de Grão-Pará. Eu já sabia que no dia
16 de maio estaria com o grupo Sintonia com a Natureza desafiando as subidas tortuosas
que nos levariam mais perto das nuvens. Mas, por que razão não conectei a
orientação com a trilha programada antecipadamente? Provavelmente, porque assim
como os outros dez participantes, eu estava cansada de ficar em casa
respeitando a ordem de isolamento social exigida pela pandemia do coronavírus.
O criciumense Élio
Wessler, líder do grupo, substituiu o abraço com o desejo de boa trilha por um
soquinho. Éramos seis dentro da camionete, ninguém usava máscara. O carro da
frente teve dificuldades para ultrapassar certo trajeto, três homens mascarados
o empurraram. Há uma tentativa de ter disciplina, um sentimento de respeitar o isolamento,
desde que possa ser feito nas montanhas do Parque Estadual da Serra Furada.
Músicas antigas e
alegres espantavam as lembranças das notícias do mundo. A imagem esférica,
colorida e até encantadora da proteína do vírus que paralisou a vida social desapareceu
diante de um cenário verde. Todos queriam sentir o bem que faz o ar entrando em
seus pulmões e não estavam interessados no mal que podia bloqueá-los a qualquer
momento.
A experiente Margarete Teles,
secretaria escolar, 53 anos, devia estar voltando de uma trilha na Europa. Teve
que adiar os planos de sair de Santiago de Compostela e ir até Fátima, em
Portugal, levando na mochila o necessário. Ela já percorreu os 800 quilômetros
de Santiago de Compostela, na Espanha, e os 50 quilômetros da trilha Inca
primitiva, no Peru. Estas viagens incríveis não tiram a emoção que sente em
contemplar as montanhas batizadas de pirâmides e o caminho que faz referência a
um engenheiro que trabalhou na região.
O menino Enzo
Teles Rodrigues acompanhou a tia Margarete Teles. A menina Ramona acompanhou o
pai Adalto Furlaneto. Ambos superaram os desafios sem reclamar. Sentados sobre
as pedras de um pequeno lago brincaram enquanto os adultos preparavam um churrasco. Laços familiares se fortaleceram ao lado
dos laços de amizade.
Diego Zanette
Vitali, 38 anos, prestador de serviços na área de transportes em Nova Veneza, teve
uma atitude inusitada. Levou uma taça e vinho para apreciar um momento diferente.
Para ele, a sensação foi mágica, e decidiu que em todas as próximas aventuras a
repetirá.
Algumas ordens não
foram respeitadas. Porém, se fossem obedecidas, não voltaríamos muito melhor do
que fomos. E, nos despedimos celebrando a vida com soquinhos que abraçavam!



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