Gustavo Galvani, de Orleans/SC, tem amelia
e por isso nasceu sem os braços. Guilherme Montejane Diaz, de São Paulo/SP, sofreu
paralisia cerebral devido às complicações no parto. Os dois adolescentes participaram
em maio do Campeonato Brasileiro de Cubo Mágico On-Line e nesta quarta-feira,
dia 24, realizaram uma live pelo Instagram. Fazendo perguntas um para o outro
falaram sobre suas habilidades, dificuldades e conquistas. Os pais participaram
indiretamente mediando as questões e acrescentado informações sobre suas
experiências.
A mãe Rafaela Diaz participou de um vídeo
publicado no canal Vem pro mundo azul que acabou comovendo a comunidade do cubo
mágico. Armando Paulo da Silva, doutor
em Ciência para a Educação e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UFTPR – Campus
Cornélio Procópio), promoveu uma campanha. “Nós queríamos que o
canal atingisse 1000 seguidores até o dia 9 de julho, quando o Guilherme
fará 14 anos. Já mudamos a meta para 2020 porque ultrapassamos bem rápido.
Também enviei cubos adaptados para ele. São os mesmos que fizemos para o
competidor Luiz Gustavo que tem deficiência visual”, comentou o professor.
Membros da comunidade do cubo mágico estão
realizando uma campanha para aumentar o número de inscritos no canal do
Guilherme (Vem
para o mundo azul) e no canal do Gustavo (Galvani Feet Cuber).
“Queremos que a associação Mundial de Cubo Mágico mude a decisão de excluir a
modalidade com os pés porque meu filho tem o sonho de ser campeão mundial. Para
isso precisamos nos unir e compartilhar estas histórias e quem sabe garantir a
modalidade oficial para pessoas com deficiência”, comentou a mãe de Gustavo,
Jucemara Galvani.
Link
da Live: Live
Gustavo e Guilherme
Saiba mais sobre os competidores da modalidade
Pessoas com Deficiência
Gustavo Laurentino
Galvani, 13 anos, Orleans/SC. É um adolescente que nasceu sem os braços e por
isso aprendeu a abraçar o mundo. Uma deficiência chamada amelia, caracterizada
pela ausência congênita total de um ou mais membros do corpo, o obrigou a fazer
muitas atividades de forma diferente.
Ele curte jogos
eletrônicos como Brawl Stars, Clash of Clans e Call of Duty Mobile. Participa
de campeonatos de xadrez, faz as refeições com autonomia, escreve e joga cubo
mágico. Aprendeu a resolver seis cubos e quebra-cabeças tridimensionais usados
em campeonatos oficiais, como 2x2x2, 3x3x3, 4x4x4, pyraminx, skewb, square-1 e
está aprendendo os algoritmos do 5x5x5.
Sua habilidade com
os pés lhe garantiu uma medalha de bronze e duas de prata em campeonatos
oficiais realizados pela Associação Mundial de Cubo Mágico (WCA). Em 2019,
conquistou dois títulos de vice-campeão brasileiro, um de cubo mágico na
modalidade com os pés e outro no xadrez na categoria sub-12. Em 2020,
participou do Campeonato de Cubo Mágico On-Line, ficou em primeiro lugar na categoria
com os pés e também para pessoas com deficiência resolvendo o cubo mágico com
uma média de trinta e seis segundos e trinta e dois centésimos.
Guilherme Diaz
Montejane, 13 anos, São Paulo/SP. Desde criança, adora atividades que para ele
são radicais como jet ski, skate e corrida. Também curte esportes da mente.
Sabe resolver seis cubos mágicos e quebra-cabeças tridimensionais usados em
campeonatos oficiais, como 2x2x2, 3x3x3, 4x4x4, 5x5x5, pyraminx e skewb.
Demorou 20 minutos e trinta e oito segundos para resolver o cubo mágico
tradicional no Campeonato Brasileiro On-Line. Criou o canal “Vem pro mundo
azul” no You Tube, onde mostra um pouco como supera as dificuldades encontradas
por causa da paralisia cerebral. Uma das suas falas revela que ele pensa que a
vida não seria legal sem desafios.
Luiz Gustavo
Medeiros Soares, 15 anos, Assaí/PR. Um adolescente que toca violão, anda de bicicleta,
pratica judô e atletismo. A mãe, Valdineia dos Santos Medeiros, costuma dizer
que ele enxerga com os olhos de Deus desde o dia que viu o filho acertando a
bola na cesta de basquete. Foi assim que, mesmo sendo totalmente cego, resolveu
o cubo mágico em um minuto e trinta e dois segundos.
Natan Cardoso, 17 anos, São
Paulo/SP. Nasceu prematuro pesando 610 gramas e medindo 28 centímetros. A
paralisia cerebral atingiu o lado esquerdo do seu corpo. Aprendeu a montar o
cubo com o irmão, Mateus Cardoso da Silva, que participava de campeonatos e
buscava melhorar os tempos. No começo ele usava a mão direita para fazer os
movimentos e a esquerda para dar apoio. Depois aprendeu fórmulas para fazer
apenas com uma mão. O seu tempo foi uma média de 41 segundos e noventa e nove
centésimos.

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