segunda-feira, 27 de junho de 2022

Mampituba incentiva crianças e adolescentes da Escola Padre Bertero a praticar esportes

 Acadêmicas UniSatc

 Ana Lúcia Pintro e Shaiane Corrêa

O Clube Mampituba tem uma parceria com a Fundação Municipal de Esportes de Criciúma (FME) e a Confederação Brasileira de Clubes (CBC). Eles oferecem um sistema de variadas modalidades para qualquer criança e adolescente de oito a dezessete anos. Alunos da escola municipal Padre José Francisco Bertero, localizada no Bairro São Simão, são beneficiados porque moram nas proximidades do clube que abre as portas para os interessados. Nove dos 99 estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental praticam gratuitamente cinco atividades físicas, como, triathlon, natação, volêi, ginástica e tênis de mesa.

O triathlon é organizado por turmas compostas por idade e nível técnico de aptidão ao esporte. Há também uma divisão em escolinha, equipe de rendimento e equipe de alto rendimento. Os participantes são geralmente, oriundos de escolas privadas porque o esporte é caro. Para superar a dificuldade financeira e garantir que Gabriel Croda de Oliveira continuasse, a família fez uma rifa para pagar uma bicicleta. O garoto de 11 anos, treina de segunda a sexta-feira, aproximadamente treze horas por semana. O auxiliar técnico, Pablo Pacheco Silva, acompanha o estudante orientando nas corridas, na natação e no ciclismo. Este esforço resultou numa medalha conquistada em Jaraguá do Sul, nos dias 11 e 12 de junho. Ele participou da 2ª etapa do Campeonato Estadual, 4ª Copa Malwee de Triathlon Olímpico e conquistou o 2º lugar, na categoria de 12 a 13 anos, no Festival de Duathlon. O evento foi organizado pela Federação Catarinense de Triathlon (Fetrisc). “Eu já tinha ficado em segundo lugar na primeira etapa que aconteceu em Garopaba. Nessa etapa corri três quilômetros, pedalei quatro e corri mais um quilômetro. Não teve natação desta vez”, comentou o atleta.

Gabriel conquistando o 2º lugar
    As amigas Gabriely Teixeira Mendes, Vitória Cruz Vitorino e Manuela Cruz Alexandre fazem parte de um grupo de quatorze meninas que treinam voleibol. Segundo o professor Anderson Damian Luiz esta modalidade, que atende meninas de 10 a 13 anos, é mais social porque não tem foco na formação de atletas. É com ele que elas iniciam um processo de aprendizado importante, aprendem a executar os fundamentos do esporte e a vencer o medo de errar buscando o acerto.  “Mas quando percebemos que há um talento que merece ser desenvolvido, fazemos encaminhamentos. Há um bom projeto em Forquilhinha, algumas vão para lá’, explicou Luiz.

Ana Clara Silva de Oliveira adora desenhar e Luís Fernando Possamai é destaque em olimpíadas de matemática. Em sala de aula, suas habilidades e atitudes são diferentes. O ponto em comum que os dois adolescentes tem é o gosto pela natação. Luís começou a nadar há seis meses porque precisava de uma atividade física que o ajudasse no tratamento da asma. Ana começou a nadar há um ano e meio como um recurso para superar o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade - TDAH. A mãe Lucilene Souza Silva justificou a escolha da atividade dizendo que é muito importante porque melhora a coordenação, respiração e articulação. “Também ajuda a liberar energia, contribui na concentração, a conter a impulsividade. O projeto a ajudou a diminuir as atitudes desafiadoras, melhorou a autoestima, a deixou mais segura e a conviver com outras pessoas”, completou Lucilene.

 Nas dependências da escola, o tênis de mesa é disputado nas hora do recreio e nas aulas de Educação Física. Mas, apenas os alunos Antonio Lucas Madalena e Jonas Guelere Neotti jogam no Mampituba. O técnico Eliseu Cardoso Machado lamenta que apenas 10 dos 25 adolescentes inscritos sejam assíduos. Para ganhar bolsa de estudos ou dinheiro eles tem que ganhar competição. O apoio da família é fundamental para que haja disciplina e não desistam. O clube ajuda na preparação física permitindo que usem a academia. Segundo ele, tempos atrás o foco era quantidade, mas hoje precisam de qualidade. “Fazemos a divulgação porque temos interesse em encontrar atletas que possam dar resultados. Já tivemos alunos que passaram em testes e poderiam ser acompanhados na Fundação, mas os pais não enviaram. Outros não podem levar para o clube e tem medo de deixar eles irem sozinhos porque precisam andar numa parte da rodovia”, informou Eliseu.

A ginástica é bastante seletiva. Marciele Borges Pacheco escolheu e garantiu vaga nesta modalidade. Ela é acompanhada pela técnica Julia Casagrande. 

 Outros espaços procurados para a prática esportiva.

Atividades do PROJAE

Aproximadamente 40 alunos dos Anos Iniciais e 30 dos Anos Finais participam no contraturno de atividades esportivas oferecidas pelo Programa de Jornada Ampliada Escolar - PROJAE. A diretora Helem LucianeFrassetto informou que sua escola aderiu ao voleibol, basquetebol, futsal, xadrez e tênis de mesa.

O programa tem como objetivo ensinar por meio da Educação Física, é um oportunidade para ter mais conhecimentos sobre alguns esportes, um espaço que pode revelar talentos.  O coordenador Fábio Bittencourt informou que o projeto visa ajudar os educadores e fomentar o desporto nas unidades de ensino, além de ser de importante para a transformação social.

 Na base do Próspera 

 Nicolas Martins, 14 anos, treina futebol na base do Próspera E.C., time profissional que está na Série D do Campeonato Catarinense. Ele já jogava quando tinha sete anos, mas parou porque o time tinha falido. 

Projetos de apoio e incentivo aos esportes

A busca crescente por modalidades de ginástica.

A procura pela modalidade aumentou após os Jogos Olímpicos de Tóquio, sendo necessária a criação de projetos voltados para o esporte.

A ginástica artística estreou nos Jogos Olímpicos no início da Era Moderna, em Atenas, 1896. Os gregos acreditavam que a ginástica era uma junção de mente e corpo, e a praticavam como uma forma de garantir a boa forma, além de ser utilizada como uma preparação para outros esportes.

A modalidade já foi chamada de ginástica olímpica, ginástica desportiva e ginástica de aparelhos, já que esse esporte combina sequências de exercícios acrobáticos em diferentes tipos de aparelhos.

Foi o alemão Friedrich Ludwig Christoph Jahn quem criou a primeira escola de Ginástica Artística, em 1811, e criou os aparelhos cavalo com alças, trave, barras paralelas e horizontais, usadas até hoje, além de aperfeiçoar movimentos e saltos, mas foram os imigrantes europeus que trouxeram a modalidade para o Brasil, mais especificamente para Santa Catarina. Em 1858, criava-se a Sociedade de Ginástica de Joinville.

Em Criciúma, acontecem treinos de ginástica ritmica e artistica pela Fundação Municipal de Criciúma. Segundo a treinadora e ex-atleta da modalidade artística Laís Bristot, o interesse por esse tipo de esporte cresceu durante os s Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que ocorreu em 2021 por conta da pandemia de Covid-19.

De acordo com suas palavras, as crianças estavam “presas” em casa, e a partir daí acompanharam a trajetória da ginasta Rebeca Andrade, que conquistou medalha de ouro durante as competições. Dessa forma, passaram a sentir interesse pelo esporte e assim a busca por aulas de ginástica cresceu no município.

“Costumamos perguntar aos novos alunos o motivo de terem escolhido a ginástica e muitas vezes ouvimos que foi porque assistiram as competições de ginástica nas olimpíadas”, comenta.

Na região de Criciúma, a instituição responsável por incentivar esse, entre outros esportes, é a Fundação Municipal de Esportes (FME), que em parceria com a Satc oferece um ambiente para iniciação à ginástica artística, para crianças de 8 a 11 anos, onde Laís ministra algumas aulas.

“Eu e outras três professoras precisávamos de um lugar para treinar e a Satc nos cedeu um local para isso. A partir disso passamos a nos entender melhor com a instituição, e assim nasceu a parceria com a FME. A SATC cedia o espaço, e a Fundação cedia o projeto”, relata Laís.
Segundo a ex-atleta, o incentivo ao esporte ainda na infância se faz muito necessário, uma vez que os treinos ensinam aos pequenos responsabilidade, disciplina e inteligência emocional para lidar com a
pressão das competições.

“O município faz, dentro do possível, o trabalho de incentivar a prática esportiva de forma gratuita para a comunidade em geral. Mas ginástica é um esporte que exige estruturas caras, então nem sempre esse apoio é o suficiente”, informa.

 Projetos de apoio e incentivo ao atleta

Esportes em geral não dependem apenas do atleta para serem praticados, também é necessário que esse atleta em específico possa contar com uma rede de apoio e incentivo. Além de pessoas para assistirem e acompanharem às competições, também há necessidade de apoio financeiro para uniformes, materiais, transporte e alojamento para competições e locais adequados para treinamentos.

A Fundação Municipal de Criciúma (FME) é a instituição responsável por essas funções dentro do esporte, promovendo projetos que mantenham a assiduidade dos atletas nos treinos, que o apoiem, e, além de tudo isso, que façam crescer o interesse dos jovens da região pelos diversos esportes oferecidos.
“O município possui vários programas de apoio e incentivo na questão esportiva. O auxílio atleta é um deles, é uma lei que oferece aos atletas um valor para despesas recorrentes no esporte. Esse recurso tem como objetivo manter o atleta dentro das equipes de rendimento, pensando em um futuro dentro desse esporte”, afirma Gustavo Oliveira, diretor técnico da FME.
De modo geral, há outras formas de incentivo dentro do município também para atletas que não fazem parte de equipes de rendimento. Há espaços para treinamento, como quadras, pistas e campos nas praças públicas de Criciúma.
A região também promove o projeto “Mais esporte, mais futuro”, que visa trazer crianças para aqueles esportes em que há a necessidade de se começar a praticar quando o corpo ainda é jovem. É esse projeto que firma a parceria entre a Fundação e a Satc para oferecer um ambiente de treinamento aos pequenos ginastas.

“A ginástica é um exemplo de modalidade que depende de questões fisiológicas. A rotina de treinamentos precisa ser iniciada ainda jovem, porque o crescimento prejudica algumas habilidades que devem ser desenvolvidas, por isso surgiu a necessidade de incentivar crianças a entrarem logo cedo no mundo do esporte”, explica Gustavo.

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