quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

MÃE...

 


“Agora que não me conformo mais com a morte. Tem tanta coisa bonita pra gente ver.” Minha mãe disse isso depois de conhecer a capela no navio em que juntas fizemos um cruzeiro. Ela tem 73 anos, nunca reclama das dores da vida e nem de dores físicas, não lamenta o passado dolorido, cuida da casa com muito capricho e seus dias são pouco agitados. Descobri que não recusa convite para viajar comigo e quero levá-la para muitos lugares.

Uma tarde, quando eu era criança, paramos para tomar água e comer uma melancia, depois de trabalhar na roça de milho. Ela disse: “Não me importo de trabalhar tanto, mas eu queria pelo menos ter um sofá.” Naquela época, tudo era difícil. Hoje, quero aproveitar a graça de poder caminhar ao lado de minha mãe por lugares que nunca pensamos estar juntas. Imprimi algumas fotos e escrevi atrás dela os lugares pelos quais passamos, como: Montevideo, Buenos Aires e Santos. E, nunca vou esquecer do dia que fomos ver o museu da “Sociedade da Neve”, do dia que andamos quase 10 km e sentamos num meio-fio pra ver os argentinos protestando contra as medidas do governo e do passeio de trem em Santos.

Quem ama viver, deve ficar mais tempo neste planeta! Minha mãe merece.

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