domingo, 30 de junho de 2024

COISAS QUE QUERO FALAR AGORA SOBRE MEU CAMINHO NO JORNALISMO

 


Resolvi escrever as palavras abaixo inspirada na minha última aula do curso de jornalismo da UniSatc. Não estou me formando ainda porque falta o estágio e o projeto final de curso.

Quando eu tinha uns 12 anos ouvi no rádio que o Instituto Universal Brasileiro vendia um curso de jornalismo.

As condições financeiras da minha família não eram nada fáceis. Meus pais trabalhavam na roça. Morávamos numa comunidade chamada São Miguel, no interior de Jaborá, oeste catarinense. Sou a filha mais velha. Tenho quatro irmãos: Ademir, Eleandra, Tânia e Renato. Minha mãe Maria é um exemplo de pessoa incapaz de fazer maldades e de leveza. Tenho três sobrinhos que quase não vi crescer: Lucas, Gabriel e Bernardo. Tenho um companheiro com quem sei que terei assunto para o resto da vida e uma enteada que é um presente raro: Cleber e Sofia. Tenho muitas pessoas importantes que não vou relacionar aqui, mas elas sabem que estão no meu coração!

Voltando ao anúncio do rádio! Em 2016, lembrei do momento que meu pai colocava a canga nos bois para ir à roça. Eu ensaiei e tomei coragem para pedir que ele pagasse o curso para mim. Ele pagou a primeira apostila. Tenho lembranças dos momentos em que sentada sobre o colchão de palha de milho eu li pela primeira vez sobre o que é um “lead” e sobre as dez classes gramaticas. Tive que parar por ali...

Aos poucos fui retornando aos bancos escolares. Fiz Magistério sem querer ser professora porque era isso ou fazer o “científico” e alguém me disse que este caminho era para quem tinha dinheiro para fazer faculdade.

Comecei a cursar Biologia na Universidade do Contestado, em Concórdia. Conclui a licenciatura curta e parei porque não conseguia pagar a faculdade. Eram anos difíceis para todo o Brasil. Voltei pelo programa Magister e fiz Licenciatura Plena em Matemática. E, assim fui trilhando o caminho de professora de Matemática, também sem querer.

Estou fechando 33 anos na Educação. O mesmo tempo que Jesus viveu na terra, estive dentro de salas de aula. Sei que não fiz tudo com tanto amor quanto Ele, mas fiz com dedicação. Em fevereiro de 2025, sigo outro rumo na minha vida. Ainda não sei o que vou fazer. Mas, num passado muito distante eu não imaginaria que no dia da minha aposentadoria eu estive me programando para estagiar e fazer um projeto final de curso. Neste momento, tenho tudo, só não tenho mais meu pai para contar a ele: “Pai, vou me formar em jornalismo!”

OBS: Sempre faço revisão dos textos que escrevo. Somente no decorrer do curso de jornalismo foram mais de 250 matérias produzidas. Mas, este texto não é para ser revisto porque não quero mexer nos sentimentos que fluíram enquanto eu escrevia.

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