quarta-feira, 10 de julho de 2024

Projeto da escola Padre Bertero desenvolve habilidades com apoio das obras de Antônio Peticov

 

Ana Clara Silva de Oliveira conheceu as obras de Antonio Peticov nas aulas de artes e matemática da escola municipal Padre José Francisco Bertero, em Criciúma. A estudante é uma adolescente de 14 anos que sempre contou com o apoio da família para superar suas dificuldades devido à dislexia, ao Transtorno Opositivo Desafiador e ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O artista acabou de completar 78 anos, viveu por três décadas no exterior e atualmente mora no Bairro Sumaré, em São Paulo. Em comum eles têm a paixão pela pintura.

Peticov é um renomado artista brasileiro que trabalha com pintura, desenho, gravura, escultura e ilustração. Ele criou capas de discos, uma obra famosa que homenageia Oswald de Andrade no metrô da capital paulista e fez aproximadamente 1500 telas e 800 desenhos importantes. Ana Clara tem espírito criativo, já inventou pulseiras, colares, brincos, roupas e brinquedos com sucata. Ela sempre está com um bloco de folhas e lápis para desenhar posicionados sobre a carteira escolar. Usando tinta de tecido, ela desenhou o monte Fuji que fica no Japão e o Monte Roraima que está localizado na divisa do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. Também representou o Corcovado, do Rio de Janeiro, e o monte Everest que está na fronteira do Nepal com o Tibet. “Estes quadros foram solicitados por nós. Aproveitamos o talento da nossa aluna para presentear os convidados que aceitaram colaborar com nosso projeto falando sobre as experiências com montanhas, cânions, cachoeiras e com estes montes. Vamos fechar o semestre com esta atividade”, informou a diretora Ana Paula Trombim.

As professoras Ana Lúcia Pintro e Evelyn Pereira Gomes de Sá trabalham juntas num projeto que explora os quadros de Peticov que fazem parte da exposição "Montanhas Sagradas e Transcendências". As telas pintadas respeitam as dimensões do retângulo de ouro e suas medidas foram estudadas nas aulas de matemática. Sob a orientação da professora de artes, usando papel e tinta guache, os estudantes reproduziram algumas obras de Peticov.

O artista disse que se sente lisonjeado com o trabalho feito por Ana Clara e que adoraria recebê-la em seu estúdio. “Eu diria a ela o mesmo que os grandes mestres, a quem eu mostrava os meus insipientes trabalhos na adolescência, diziam para mim. Trabalhe, trabalhe, trabalhe! Vocação a gente descobre, mas talento a gente desenvolve”.

Nesta sexta-feira, dia 12, quatro palestrantes irão falar sobre suas experiências com as montanhas pintadas por Peticov e sobre as principais trilhas da região sul catarinense. Os convidados Élio Wesller e Adalto Furlaneto, do Grupo Sintonia com a Natureza, têm como tema principal apresentar os desafios que superaram para chegar ao Monte Roraima. A professora Rose Reynaud viajou onze vezes para o Japão e em todas elas visitou o Monte Fuji.  O ex-professor de Educação Física, Manoel Rabelo, depois de aposentado andou pelas terras da Argentina, Paraguai, Bolívia e Peru. “Este momento será especial para que nossos alunos conheçam mais sobre estes montes famosos ouvindo as histórias de pessoas que já estiveram nesses lugares lindos e famosos. Os alunos do 9º Ano, estão concluindo um trabalho de pesquisa e reproduzindo lugares como os Dois Dedos, em Treviso, a Pedra Furada, em Orleans, e a Trilha do Rio do Boi, em Praia Grande”, informou a professora Evelyn.

Lucilene Souza Silva, mãe de Ana Clara, lembrou da trajetória da filha desde quando começou a frequentar a Educação Infantil e a apresentar dificuldades nas atividades escolares. Por isso, procurou a ajuda de um neuropediatra. Iniciaram as avaliações e intervenções, com o apoio de uma fonoaudióloga, uma psicopedagoga e uma psicóloga. “A partir daí, começamos uma longa e difícil jornada de aceitação e evolução, exigindo muita dedicação e tempo para auxiliar no desenvolvimento de Ana. O nascimento do irmão e a pandemia foram momentos complicados. Foi uma batalha com escola, com professores, com a sociedade que exclui tudo, todo tempo, seja uma deficiência física ou intelectual”, comentou a mãe.

Segundo Lucilene, o desenho é a válvula de escape de Ana Clara que prefere mais ficar isolada desenhando do que convivendo com outras pessoas onde ela é julgada e não é compreendida. “É muito gratificante ver a minha menina doce e gentil se tornar essa adolescente de personalidade forte, talentosa, com muita garra e muita determinação. Quando quer, passa pelas limitações e faz bem feito. Sinto muito orgulho da filha que eu tenho. Em nove anos, esta é a primeira vez que ela está se sentindo incluída na escola”, frisou Lucilene.

 

Saiba mais sobre Antonio Peticov

Antonio Peticov nasceu em 1946 em Assis, na divisa de São Paulo com o Paraná. Atualmente, mora no Bairro Sumaré, na capital de São Paulo. Entre os anos de 1970 e 1999, viveu em Londres, Milão e Nova Iorque, ampliando seus estudos e carreira.

Sua obra é reconhecida internacionalmente, difundida por capas de discos, livros e exposições. Suas criações são ricas em padrões geométricos, formas e cores vibrantes. As cores do espectro solar são referências para seu processo criativo.

Autodidata, desenvolveu seu interesse pelas artes desde a adolescência, especializando-se em Geometria Sagrada e na Seção Áurea. Ele usa a sessão área na formatação da tela, serve como um guia onde ele estrutura seu trabalho. Para ele a Arte é a transformação do ordinário no extraordinário e a matemática é a maneira do ordinário explicar o extraordinário.

Durante sua carreira, Peticov produziu um grande número de obras, incluindo 1462 telas e 800 desenhos até o ano de 2021.








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