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| Foto: William de Souza Eleutério |
William pratica alguns esportes radicais
como kitesurf, kiteskate, rapel, trekking e parapente. A adrenalina que estas
atividades lhe proporcionaram estão sendo convertidas pelo prazer de ajudar outras
pessoas a terem experiências que transcendam o cotidiano. Este desejo
possibilitou que Ana Cristina da Silva, Ana Lúcia Pintro, Deivisson Nascimento,
Fabio de Godoi Machado, Monique Garcia, Nicoly Patrício, Norton de Souza Correa
e Ramilla Rosso Possamai pudessem se
aventurar numa viagem pela Argentina e pelo norte do Chile. Todos, com exceção
de Fabio que inclusive já viajou de Criciúma até o Uruguai de bicicleta, saíram
do Brasil pela primeira vez. Alguns lamentaram não ter passaporte para carimbar
as primeiras viagens internacionais.
Os viajantes percorrem mais de 6300 quilômetros no período de 22 de dezembro a 3 de janeiro. As longas retas trouxeram algumas surpresas. Numa das rotas nacionais - RN 16 - encontraram nuvens borboletas brancas durante o dia e ouviram o canto de cigarras à noite.
Os viajantes percorrem mais de 6300 quilômetros no período de 22 de dezembro a 3 de janeiro. As longas retas trouxeram algumas surpresas. Numa das rotas nacionais - RN 16 - encontraram nuvens borboletas brancas durante o dia e ouviram o canto de cigarras à noite.
O retorno trouxe a certeza de que “a
felicidade somente é real se for compartilhada”. Está frase estava na agenda do
personagem principal do filme. Ele quis viver sozinho, preferiu se afastar de
pessoas importantes e acredita-se que deve ter descoberto que não era a melhor
forma de viver.
Principais recordações e
aprendizados
Os
lugares
A paisagem impressionou a todos, tanto
na Argentina quanto no Chile. Todos os dias havia uma surpresa. Enquanto o
William dirigia pelas longas estradas no meio do deserto, todos admiram a
paisagem pelas janelas. Alguns dormiram em parte dos trajetos, entregues pelo
cansaço.
O que vivenciaram na Argentina?
Eles não tinham noção da beleza de
Purmamarca até amanhecer e perceberem a beleza ao redor do povoado. É onde fica
o famoso Cerro de Los Siete Colores, ou seja, as montadas das sete cores. Também
deram entrevistas na Radio Viltipoco que foi criada há dez anos.
Nas Grandes Salinas realizaram muitas
fotos e filmagens engraçadas e lindas durante a manhã do dia de Natal. Também conheceram
o chamado olho do salar.
O que vivenciaram no Chile?
Tomaram banho em lagoas muito salgadas, como a Lagoa de Cejar e as Lagunas Escondidas de Baltinache. Conheceram as lagunas Miscanti e Miniques da reserva nacional dos flamengos.
Tomaram banho em lagoas muito salgadas, como a Lagoa de Cejar e as Lagunas Escondidas de Baltinache. Conheceram as lagunas Miscanti e Miniques da reserva nacional dos flamengos.
Visitaram um oásis no Valle de Jere. Um lugar
que lembra passagens da bíblia. Vários canais de água lembram o Egito. Muitas
frutas como pêra, figo, uva e granada.
O Valle de Marte aumentou as feridas nos pés e na boca, mesmo de quem se protegeu com manteiga de cacau, chapéu e lenço. Nada grave.
O anoitecer no Valle de La Luna fez correr lágrimas de quem não estava concentrado em fazer as fotografias do momento.
O Valle de Marte aumentou as feridas nos pés e na boca, mesmo de quem se protegeu com manteiga de cacau, chapéu e lenço. Nada grave.
O anoitecer no Valle de La Luna fez correr lágrimas de quem não estava concentrado em fazer as fotografias do momento.
Onde
dormiram?
O grupo planejou economizar. Três noites dormiram dentro da Van enquanto viajavam, quatro noites em hostels, outras quatro na casa de amigos chilenos e duas noites acamparam.
O grupo planejou economizar. Três noites dormiram dentro da Van enquanto viajavam, quatro noites em hostels, outras quatro na casa de amigos chilenos e duas noites acamparam.
O primeiro acampamento foi montando na
Cordilheira do Sal, no deserto de Atacama, o mais seco do planeta. Em frente às
barracas estava a carcaça de um famoso ônibus abandonado. A curiosidade sobre
sua origem tem várias versões. Pode ter sido abandonado por uma empresa de
ônibus ou deixado lá como refúgio para os trabalhadores de uma mineradora da
região. Talvez tenha sido uma forma de atrair turistas, pois o local conhecido
como Valle Del Bus (Vale do Ônibus) é procurado para registros fotográficos.
Norton nunca tinha dormido numa barraca
e não foi nesta noite sua primeira experiência. Resolveu dormir ao relento,
passando frio porque não teve coragem de sair do saco de dormir para ir até o
veículo se aquecer. “Achei que ia passar mais frio no caminho, não queria
perder esta chance, então aguentei. Apesar de ter passado a maior parte da
noite em claro, foi positivo porque pude apreciar um dos céus mais estrelados
do mundo. Vi várias estrelas cadentes e aparição da lua atrás do vulcão Lincancabur.
Foi um momento mágico pra mim”, contou o estudante de design gráfico.
Na Argentina pagaram aproximadamente dez
reais para se abrigarem num hostel em Purmamarca. Foi lá que preparam a modesta
Ceia de Natal e tomaram banho com água aquecida à gás, comum nas casas da
região.
Em San Pedro de Atacama, no Chile,
gastaram aproximadamente sessenta reais no Hostel “Casa de Los Músicos”. A francesa Brigite Frías casada com o
chileno Miguel Frías foram presenteados com uma faixa do Criciúma que colocaram junto
à Bandeira do Brasil que já decorava a área interna do prédio, um dos raros na
cidade com um andar além do térreo. A aproximação começou porque ele tocava e cantava
composições brasileiras como Detalhes de Roberto Carlos, A Construção de Chico
Buarque e Águas de Março de Tom Jobim.
A amizade entre William os chilenos
Osnar Fuentes e Alexa Mundaca Contreras começou em maio do ano passado, na
região da Patagônia da Argentina. O casal de amigos resolveu fazer uma viagem
de dois meses com uma mochila nas costas e pedindo carona. Este contato fez com
que passassem por Criciúma. Eles conheceram a Trilha dos Dois dedos, em Treviso,
e no caminho cruzaram com Monique e Nicoly.
Foi assim que o grupo de nove pessoas conseguiu hospedagem por quatro dias no Chile. No condomínio sem luxo, as casas que tem paredes em comum e móveis básicos, como pia, fogão e colchão.
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| Foto: William de Souza Eleutério |
Foi assim que o grupo de nove pessoas conseguiu hospedagem por quatro dias no Chile. No condomínio sem luxo, as casas que tem paredes em comum e móveis básicos, como pia, fogão e colchão.
Para o café da manhã levaram muitos
pacotes de bolacha, leite em pó, café solúvel e achocolatado.
Para o almoço levaram arroz, massa, enlatados
de atum, almôndegas e feijoada. O suco artificial não faltou.
Também comeram em alguns restaurantes. Na
Argentina, alguns provaram carne de lhama e outros preferiram comer frango. As batatas
acompanham estes pratos.
Também fizeram sanduíches com pão
integral, queijo e presunto. Compraram coca-cola no pais que mais consome esta
bebida, depois dos Estados Unidos da América.
No último dia que preparam o almoço na estrada ficaram na entrada de uma propriedade de plantadores de legumes, em Uquía, na Argentina. Compraram um pé de alface por dez pesos e ganharam dois. Não tinham azeite porque vazou, nem vinagre, nem limão e nem sal para temperar. Pediram para lavar a salada na casa da família e foram atendidos por uma menina de dez anos, a Mariana. Ela colocou o pé numa vasilha com água, movimentou e torceu inteiro. Pediram para lavar melhor porque ainda tinha terra. Iam temperar somente com sazon, mas ganharam um limão que retribuíram com chocolate e bolacha.
No último dia que preparam o almoço na estrada ficaram na entrada de uma propriedade de plantadores de legumes, em Uquía, na Argentina. Compraram um pé de alface por dez pesos e ganharam dois. Não tinham azeite porque vazou, nem vinagre, nem limão e nem sal para temperar. Pediram para lavar a salada na casa da família e foram atendidos por uma menina de dez anos, a Mariana. Ela colocou o pé numa vasilha com água, movimentou e torceu inteiro. Pediram para lavar melhor porque ainda tinha terra. Iam temperar somente com sazon, mas ganharam um limão que retribuíram com chocolate e bolacha.
Cada um levou seus talheres, copos e
pratos.
Quase todos os pacotes de lenço
umedecido voltaram. Foram pouco utilizados porque passaram oito das treze
noites em hostels e na hospedagem dos amigos chilenos.
Foi em Guatin que acamparam pela segunda
vez. Lá havia um rio. As mulheres tomaram banho e lavaram os cabelos com auxílio
de uma panela. As Anas seguiram o leito do rio, ladeado por cactus, descobriram
uma cachoeira e aproveitaram para tomar o mais renovador dos banhos.
Tinham um banheiro químico que ninguém utilizou.
Há muitas semelhanças entre as línguas romanas
portuguesa e espanhola. Muitas palavras e frases são iguais. Algumas pessoas do
grupo pareciam crianças sendo alfabetizadas na língua materna. Liam sem
dificuldade tudo o que encontravam escrito nas placas, nos cardápios, nos
carros e nas lojas.
Apesar de ser fácil a leitura e compreensão,
faltou a atenção de Ramilla ao preencher o formulário na aduana chilena. O agente
da Policia de Investigação do Chile – PDI – rindo pediu para ver os nove
menores que ela declarou estar acompanhando. Na verdade, o erro dela foi
confiar na experiência do Fabio e copiar as respostas.
Internet
O economista Fabio de Godoi Machado concluiu que wi-fi no Chile deixa as pessoas bêbadas. Os bares eram os lugares mais frequentados pelos criciumenses para acessar a internet. O acesso às redes sociais é muito ruim e limitado para estrangeiros que querem economizar. Poucas fotos foram postadas e visualizadas. Enviar notícias para os familiares era a prioridade objetiva.
O economista Fabio de Godoi Machado concluiu que wi-fi no Chile deixa as pessoas bêbadas. Os bares eram os lugares mais frequentados pelos criciumenses para acessar a internet. O acesso às redes sociais é muito ruim e limitado para estrangeiros que querem economizar. Poucas fotos foram postadas e visualizadas. Enviar notícias para os familiares era a prioridade objetiva.
Depois
que a “La Clave” era descoberta voltavam aos lugares para atualizar as
mensagens. Era comum ver o grupo todo sem conversar nestes momentos, dentro da
van ou encostados nas paredes.
A maioria das pessoas do grupo nunca
havia lidado com moedas estrangeiras. Mesmo sendo fácil, era comum se fazer confusão
e não ter noção do valor de câmbio e do poder aquisitivo devido a inexperiência.
Com o passar do tempo, fazendo associações e comparações, isto deixou de ser um
problema. Foram percebendo que comprar no Chile é mais caro que comprar na
Argentina.
Num cassino de Resistência, na Argentina,
trocaram 100 doláres por 740 pesos argentinos. Concluíram que um real equivalia
a pouco menos de dez pesos argentinos.
Na sexta-feira, dia 28, caminharam muito
pelas ruas do centro de San Pedro de Atacama. Trocaram dólares por pesos
chilenos. Perceberam que se um dólar custa 168 pesos chilenos, cada mil pesos
chilenos equivale a uns seis reais. Esta comparação serviu para que pudessem
avaliar o preço dos presentes, das comidas e das bebidas. Uma porção de batata
custava 6000 pesos, ou seja, em torno de 36 reais. Em alguns lugares uma
garrafinha de coca-cola custa 2000 pesos, logo custa aproximadamente 12 reais.
A troca de doláres foi um problema para quem tinha notas com defeitos. Tanto no Chile quanto na Argentina são rigorosos e exigem notas em perfeito estado. Qualquer rasura na borda não é aceita. Por isso, não devem sequer ser dobradas para evitar problemas com o câmbio.
A troca de doláres foi um problema para quem tinha notas com defeitos. Tanto no Chile quanto na Argentina são rigorosos e exigem notas em perfeito estado. Qualquer rasura na borda não é aceita. Por isso, não devem sequer ser dobradas para evitar problemas com o câmbio.
O que
os cemitérios contam
A professora Ana Cristina da Silva é formada em História e sabe muito bem que os cemitérios são fontes ricas sobre o passado das cidades. Quanto mais antigo, mais indícios históricos.
A professora Ana Cristina da Silva é formada em História e sabe muito bem que os cemitérios são fontes ricas sobre o passado das cidades. Quanto mais antigo, mais indícios históricos.
No cemitério de Purmamarca, ela
encontrou a lápide do militar Orlando Araujo. As inscrições informam que ele
foi o primeiro homem a escalar sozinho o Monte Aconcaguá, a montanha mais alta
da América. A façanha aconteceu em janeiro de 1950. “Ao entrar no cemitério
encontrei um túmulo com uma placa que anunciava que ali estava o corpo de uma
pessoa que foi sequestrada, torturada e assassinada por regimes militares. Mas,
o que mais me impressionou foram os caixões expostos, alguns cobertos por uma
toalha branca, dentro das capelas”, informou Ana Cristina.
O réveillon
Em San Pedro do Atacama, no condomínio dos amigos chilenos fizeram churrasco e maionese para comemorar o último dia do ano. Ouviram música, dançaram e beberam comemorando o ano que iniciava com os demais moradores.
Em San Pedro do Atacama, no condomínio dos amigos chilenos fizeram churrasco e maionese para comemorar o último dia do ano. Ouviram música, dançaram e beberam comemorando o ano que iniciava com os demais moradores.
Depois da meia-noite foram ao centro da
cidade caminhando entre as casas de barro e as estradas empoeiradas. Uma das tradições
dos moradores e colocar um homem sentado numa cadeira até a meia-noite quando a
queimam. Este ritual tem como intenção destruir todas as coisas ruins do ano
anterior.
A rua Caracoles e a pracinha ficaram
repletas de turistas.
Os bares ofereceram festa privada com música
eletrônica ou reggaeton. As entradas custavam em torno de noventa reais, mas no
câmbio negro havia pessoas vendendo pelo dobro deste valor.
O mar fica a aproximadamente 270 quilômetros
da cidade, mas eles chamam de praia o limite da área urbanizada com o inicio
das montanhas. E, lá eles se reuniram para soltar fogos de artifício.
Saiba mais lendo a matéria do Portal 4oito, clicando AQUI.
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| Foto: William de Souza Eleutério |














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