sexta-feira, 13 de março de 2020

Entrevista com Tayse Nicoladelli do Movimento Mulheres na Montanha


A 2ª edição do movimento Mulheres na Montanha acontecerá no dia 5 de abril de 2020, em Orleans. Em menos de 30 horas as 80 inscrições disponíveis acabaram. Por que tantas mulheres garantiram sua vaga com tanta pressa? Para falar sobre este evento convidamos Tayse Borghezan Nicoladelli, uma das organizadoras. Ela é integrante do Movimento Orleans Viva – MOV – e condutora do Parque Nacional São Joaquim e do Parque Estadual da Serra Furada. Atua também como professora de Geografia do Ensino Fundamental e Médio no Colégio Unibave e auxiliar de projetos da Fundação Educacional Barriga Verde.

 Quem são os responsáveis pela organização deste evento?
O movimento é promovido pelos voluntários do grupo Guardiões do Costão que integram o Movimento Orleans Viva. Lutamos contra a retomada da mineração, em prol dos bens naturais e desenvolvemos atividades reforçando a ideia de que é necessário investimentos e apoio à agricultura familiar, orgânica, destinada ao bem-estar de quem mora no campo. Incentivamos práticas ligadas ao turismo de aventura, de natureza, de contemplação. Defendemos que existem atividades econômicas que garantem a permanência do homem no campo. Alertamos que as atividades do passado são uma ameaça e podem comprometer recursos que são essenciais à agricultura como o solo e a água.

Mulheres na Montanha iniciou, em 2005, no Rio de Janeiro, quando nove mulheres que escalaram a parede do Cantagalo, no bairro da Lagoa. Como este movimento chegou como chegou em Orleans?
Este evento iniciou na região da serra catarinense em 2012.  A Maryella Masseli, que reside em Urubici, é a coordenadora em Santa Catarina. Foi ela quem conseguiu o aval do grupo fundador propondo a extensão do evento no estado e teve licença para usar o nome e a logo nas camisetas.  Ano passado fizemos uma parceria e realizamos em Orleans porque acreditamos que poderia reforçar nossos princípios que tem como objetivo promover atividades econômicas sustentáveis.

No primeiro lote todas as 80 vagas foram preenchidas em menos de trinta horas após aberta as inscrições. Qual a razão de tanto sucesso?
Acredito que está ligado a necessidade atual das pessoas de se conectarem com a natureza. As mulheres buscam a liberdade, companhias, novas redes de contato. É uma novidade para o sul, estas práticas ao ar livre. Teremos banho de rio, ioga, um café colonial, um dia com a natureza. Não tínhamos este tipo de atividade destinado especialmente às mulheres. Agora temos, por isso tanto interesse.

Qual o perfil das mulheres inscritas para participar do evento?
É bem democrático, contempla adolescentes até pessoas com faixa etária acima de setenta anos. Ano passado tivemos todas as faixas etárias presentes e isso acontecerá novamente.

Quais foram os critérios para escolher o local da caminhada?
Escolhemos o local com base no princípio do MOV que é mostrar novas fontes de renda para as comunidades rurais. Vamos apresentar a importância do Parque Nacional São Joaquim e do Parque Estadual da Serra Furada que estão em território orleanense. A caminhada do ano passado foi na comunidade de Três Barras. Neste ano faremos na comunidade do Chapadão onde está uma das sedes do parque e porque já está investindo em turismo.

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