Errei duas vezes no texto? Ou será uma apenas? Não vou alterar lá, vou explicar antes.
Minhas irmãs disseram que os olhos do meu pai eram azuis. Meu irmão mais velho disse que eram verdes. Minhas lembram lembra apenas que eram claros. Outros parentes não entram em consenso. Em minha memória estão as lembranças dos momentos que eu ficava admirando o verde dos olhos dele! E agora? Talvez, eles tivessem tantas nuances... Não sei se errei!
Graças a este texto, fui corrigida numa informação importante que para mim estava certa. A igreja que guarda o livro com os registros da saída de nossos antepassados, na Itália, não está em Torrebelvicino: ficam num lugar chamado Recoaro Terme.
Reforço que dizer que não troco Pintro por Pintaro era um sentimento daquele momento em que eu estava imaginando minha conversa com meu pai. Não acho errado mudar o sobrenome, mas a gente cresce com um e mudar impacta. Hoje não tenho interesse na cidadania italiana, mas se um dia eu quiser porque a vida surpreende, posso ser obrigada a mudar. Tenho interesse na história da família. Sabemos tão pouco e por isso, o pouco que sabemos pode não ser exatamente o que pensamos que é a verdade.
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| Luiz Pintro e a esposa Giacomina |
Cresci acreditando que minha origem paterna
era de italianos puros. Hoje sei que não é verdade, embora não tenha muitas
informações. Meu pai, Alcino Pintro, contava que seus antepassados eram da região
de Vicenza. Lembro de fixar meu olhar nos olhos verdes dele enquanto
manifestada profunda curiosidade pelas terras de onde veio seu avô Luiz Pintro.
Ele reproduzia sempre uma informação: “Parece que o nosso sobrenome era Tedesco.
Quando vieram para cá, mudaram por causa da guerra. Ainda quero escrever isso
num caderno para ficar registrado. Mas, eu gostaria de poder ir um dia no mesmo
lugar de onde eles vieram!”
Meu pai faleceu há 18 anos. Se ele ainda
morasse na comunidade de Linha São Miguel, em Jaborá, eu poderia ouvir ele
contar o que já sabia e eu poderia contar o que descobri depois da sua partida.
Consigo imaginar nosso diálogo:
- Pai, quando meu bisavô dizia que era Tedesco,
ele queria dizer que eram de origem alemã. Seu sobrenome na Itália é Pintaro e
não Pintro. Nossos parentes da origem do seu tio Izidoro mudaram os registros
em cartório para fazer dupla cidadania.
- Eu tenho sangue italiano, não sou
alemão. Nunca vou mudar meu sobrenome.
- Hoje ele está registrado como Luigi
Pintaro e não Luiz Pintro.
- Na lápide diz que ele nasceu em 16 de
maio de 1872 e faleceu no dia 27 de julho de 1939.
- Fazendo as contas, eu tinha um ano. Diziam
que era um homem bom, que acolhia os colonos quando chegavam e que gostava de
tomar uma cachacinha.
- Quantos filhos ele teve? Vai dizendo os
nomes que eu conto nos dedos...
- O meu pai era o Raimundo que veio pra cá
com 16 anos e ficou dois meses sozinho, esperando buscarem os outros da família.
Ele teve muita coragem porque aqui só tinha mato e bicho.
- Onde eles estavam? Em Caxias do Sul?
- Vieram daqueles lados...
- Pai, eu estive na comunidade de Caravágio
da Terceira Léguas, em Caxias do Sul, em 2013. Fui na casa que seu avô morou
com seu tataravô. Fui numa outra casa que tinha uma piscina, dizem que lá era o
cemitério, o corpo do pai dele Miguel Pintro dever ter sido enterrado lá.
- Muita coisa se perdeu.
- Fui também numa gruta que dizem que os
primeiros colonos se abrigavam. Ele deve ter se protegido lá também. Eu fui no
cemitério e achei uma cruz de ferro com o nome de Maria Pintro, que era sua bisavó.
Estava escrito Maria Pinto, mas era comum estes erros de escrita. Dizia ainda
que ela faleceu em 1916 aos 70 anos.
- Continuando... Você quer saber quantos
filhos meu avô tinha. A maioria dos irmãos do meu pai foram trabalhar nas
plantações de café, no Paraná! Tinha o tio Isidoro, tio João, tio Chico, tio Vicente,
tio Lourenço e o tio Miguel. E de mulher tinha a tia Maria, a Ana, a Adelaide, a
Hermínia, a Luiza e a Catarina.
- Foram 13 filhos, então! A Luiza é esta
moça da foto que está enterrada aqui no túmulo dele?
- Sim, filha! A esposa dele era minha bisavó
Giacomina. Ela morreu em Araruna, no Paraná, onde está enterrada.
- Pai, em janeiro deste ano eu estive em Torrebelvicino,
Província de Vicenza que faz parte da região do Veneto. Eles saíram de lá em1893.
Era noite, não pude entrar na igreja onde
sei que nossos parentes descobriram um livro com o nome deles. Eu e meus amigos
usamos a luz do celular para iluminar os túmulos do cemitério. Não encontramos
nosso sobrenome nas lápides.
- Mas, deve ter Pintro na Itália!
- Tinha uma via chamada Pintro, num lugar
lindo e pequeno. Eu descobri pela internet há muito tempo. Fui na agropecuária na
esperança de ouvir que tinha gente com nosso sobrenome. Mas, as pessoas que lá
estavam disseram que não é sobrenome. Também não souberam dizer porque a via se
chama Pintro.
Luiz Pintro nem imagina que voltou a ter seu
nome original nos registros de seus descendentes. Eu me recuso a acrescentar
uma letra e mudar meu sobrenome. Posso ter sangue Pintaro, mas assim como meu
pai, sou Pintro
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| Filhos de Luiz Pintro: Ana, Chico, Bete (irmã de Anna), Maria, João e Izidoro |


Antes de publicar algo, você como jornalista que diz ser, tem que verificar tudo antes de publicar.
ResponderExcluirTambém escutava as histórias do Nono Isidoro Pintro/Pintaro, o sobrenome é o mesmo só acreceu uma letra que é meramente jurídico. Eu continuo sendo a mesma pessoa, meu bisavô meu nono, meu PAI continuam sendo as mesma pessoas que sempre vamos amar. Você muda seu nome se você quiser, ninguém está obrigando você a mudar. A não ser que queira ter a cidadania ITALIANA. E não apaguei os comentários, se postou um artigo seja adulta e madura para receber os elogios e criticas que vão vir.
Olhe, vamos por partes. Primeiramente parabéns pelo trabalho de pesquisa da autora. Gostei do estilo do texto também. Quanto a Bete Pintaro e sua resposta: Em nenhum momento a autora conclama quem quer que seja a mudar de sobrenome, ou denigre ou ainda diminui este ou outro sobrenome. Trata-se de uma experiência pessoal, uma viagem ao passado da própria origem e uma bela conversa imaginaria com o próprio pai, falecido a anos. Portanto não me parece que a pessoa que critica ou não leu , ou não entendeu. Não é à autora que falta maturidade.
ExcluirBom dia Ana Lúcia!
ResponderExcluirBom saber que você também tem um blog e conta uma pouca das suas histórias, vivências e opiniões (mesmo que diversas).
Vim aqui referenciar o blog que minha mãe fez relatando toda a história que descobrimos quando fomos a Itália. Eu estava lá, ví o livro em que foi assinado Pintaro (que por sinal é em Recoaro Terme e não Torrebelvicino) e me emociono até hoje.
Vou deixar referenciado o blog da minha mãe, pois ela referenciou seu.
http://familiapintropintaro.blogspot.com/search/...
Mas descobrir de onde é a origem da família, fazer o percurso e hoje ter cidadania italiana, não tem preço!
Uma letra não muda a história.
Bom domingo.