A trilha do Rio do
Boi foi o destino escolhido por pessoas com perfil aventureiro para curtir um
dos dias do feriado de Carnaval. Inicia no posto de fiscalização de Praia
Grande, no extremo sul catarinense, há 12 quilômetros do centro da cidade. Está
localizada na fenda do Cânion Itaimbezinho com paredões de 770 metros de altura,
dentro Parque Nacional Aparados da Serra. O percurso de quatorze quilômetros, considerando
a ida e a volta é realizado dentro da mata, pela margem do rio e também são
feitas 22 travessias dentro dele. A trilha é considerada de alto grau
de dificuldade e exige que se caminhe muito sobre pedras, dentro e fora da água.
Neste sábado, dia 26, as 104 vagas foram lotadas por turistas que agendaram e
combinaram com os guias que podem acompanhar no máximo sete pessoas por vez.
O parque tem como
objetivo básico a preservação dos ecossistemas da Mata Atlântica, das florestas
de araucária e do pampa gaúcho. Nesta região moraram muitas famílias
até meados dos anos 50 que foram relocadas com a criação do parque “Este era mais
um caminho dos tropeiros. Minha mãe fala que quando a população percebia a presença
deles, já se deslocavam para a parte de baixo do desfiladeiro para aproveitar
os restos de algum boi que caísse. Era mundo comum os bois despencarem e por
isso o lugar ficou conhecido como Rio do Boi”, explicou o condutor Cezar Krüger.
Há 35 anos quando
Élio Wessler, morador de Criciúma, começou a trilhar havia poucas pessoas que
praticavam esta atividade, o acesso às cachoeiras era livre, as estradas não
eram trancadas e ainda não existiam empresas explorando os lugares. Ele convidou alguns amigos e as filhas Tatiana
e Patrícia para voltar ao lugar onde passou muitos carnavais da sua vida. No
caminho fizeram paradas para observar a toca onde vivem três aranhas caranguejeiras,
alimentar um jundiá, observar a ossada de um macaco pequeno, comer o lanche
preparado em casa e tomar banho nos poções e nas cachoeiras Leite de Moça e
Braço Forte. Na volta foram acompanhados por diversas borboletas azuis.
Tatiana e Patrícia
lembram com saudade dos acampamentos realizados em família. A primeira parou de
acompanhar quando começou a cursar o Ensino Médio e jogar handebol. E a segunda,
interrompeu as aventuras quando chegou à universidade. “Quando eu tinha uns
quatro ou cinco anos já acompanhava meu pai. Ele fez a trilha do Realengo, em
Morro Grande, mais de 30 vezes. Desde pequena eu o ouvia falando desse caminho,
mas não podia ir porque era difícil pra mim. Lembro quanta felicidade eu senti
o dia que ele me deixou”, comentou Tatiana.
Para ter acesso à
área de visitação e à Trilha do Rio do Boi, o visitante deve estar acompanhado
de condutores credenciados e autorizados pelo Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade- ICMBio. Os ingressos para visitar os núcleos
Fortaleza e Itaimbezinho, tal como o acesso para a Trilha do Rio do Boi podem
ser adquiridos de forma online por meio do site https://canionsverdes.com.br.
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