Quando começa a anoitecer, o Parque
Municipal Prefeito Altair Guidi, localizado nos fundos da Prefeitura Municipal
de Criciúma, fica movimentado pelas pessoas que moram na região. Muitos
criciumenses cuidam do corpo e da mente correndo, caminhando ou praticando
atividade física com bicicleta, bola ou skate. Enquanto isso, do outro lado da
rua, na Mesquita Palestina, os muçulmanos cuidam da sua alma com os
ensinamentos do sagrado livro do Alcorão. Todas as noites no horário das 20h às
21 horas eles se reúnem para rezar e participar de uma aula com duração
aproximada de dez minutos.
O orientador religioso da Mesquita
Palestina de Criciúma é o cheique Adil Ali Pechliye, graduado na Universidade
da Arábia Saudita. “Nós também nos reunimos todas as tardes a partir das 12
horas até as 13 horas. Sexta-feira é o dia especial quando a maioria dos
muçulmanos se reúne nas mesquitas. Ao meio-dia e meia fazemos a oração e depois
tem o discurso ou sermão. Qualquer pessoa que desejar pode entrar aqui desde
que não use roupas curtas, justas ou transparentes. Serão bem-vindos”, explicou
o cheique.
Os homens se reúnem descalços, num salão
forrado com um tapete azul, sem cadeiras, lado a lado em filas verticais. As
mulheres ficam no mezanino forrado com um tapete vermelho e têm diminuído a
frequência devido à pandemia. Elas também realizam as orações, mas não é dever
comparecer à mesquita. Eles fazem suas orações voltados para a estrutura
sagrada Caaba, localizada em Meca, na Arábia Saudita. O movimento de se
ajoelhar e tocar a cabeça no chão é um gesto de respeito da criatura para com o
criador. Num dos sermões sobre a oração o cheique destacou a importância da
realização das cinco orações diárias. “A oração é importante porque nos
purifica dos erros e dos pecados que cometemos todos os dias. E também, porque
ilumina nosso coração e nossa alma”, enfatizou Pechliye.
Juliana Thofehrn costuma fazer orações na
capela localizada nos fundos da igreja católica do Bairro Próspera onde mora.
Também participa e estuda o espiritismo na Casa Espírita Seara de Jesus. Ela
considera importante ter experiências novas com mais frequência porque
enriquecem a vida. Sugere que as pessoas reservem tempo para entrar em contato
com culturas e atividades. Por isso, participou de uma das rezas e acompanhou
os ensinamentos de uma aula na mesquita. “Fiquei impressionada, apesar de ter
certeza de que todas as religiões são boas, hoje fiquei emocionada e tocada
pelo que vi. Apesar das diferenças culturais, observo que transborda amor e
caridade. A palestra vem ao encontro do que acredito que Deus é amor, é
universal, perdoa, compreende, ama. Cada um de nós tem responsabilidades pelos
seus atos”, analisou Juliana.
Foi numa aula de Arte que Julia Rocha da
Silva, 9 anos, ouviu falar sobre muçulmanos e mesquitas. Manifestou o interesse
em conhecer e teve a permissão da família. Um dos seguidores do Islamismo
mostrou à menina o livro do Alcorão e explicou que a escrita árabe é feita da
direita para a esquerda. Ela soube que não deve pegar o livro nas mãos sem
antes fazer a ablução que é um ritual de limpeza e purificação de partes do corpo.
“Tentei explicar para minha mãe o que aprendi, mas não tem como explicar, ela
tem que ir ver. Achei interessante a maneira como eles rezam, eles abaixam e
levantam. Gosto de conhecer para saber respeitar”, comentou Julia.
Segundo o cheique, moram na região de
Criciúma, Nova Veneza e Forquilhinha entre 300 e 400 muçulmanos oriundos
principalmente dos países africanos como Gana, Togo e Senegal. Há poucos árabes
e brasileiros praticantes que frequentam a mesquita.
Os encontros podem ser acompanhados ou
assistidos posteriormente no canal da TV Islam Sul de SC no Facebook. Contatos
podem ser feitos pelo whatsapp (48) 9670-3455.
História da Mesquita Palestina de Criciúma
Santa Catarina tem cinco mesquitas localizadas
em Criciúma, Lages, Palhoça, Joinville e Florianópolis. Há mais comunidades
islâmicas em Chapecó e Tubarão.
No final da década de 1970 árabes
muçulmanos do Líbano e da Palestina chegaram a Criciúma. Em 1983 fundaram a
Sociedade Beneficente Muçulmana de Criciúma (SBMC). Eles recuperaram alguns
subsídios que recebiam do governo, perdidos com a Constituição de 1988 que
proibia entidades religiosas de receber subvenções, criando uma entidade para
divulgar a cultura árabe na cidade. Logo começaram a projetar a mesquita e iniciaram
a construção em meados da década de 1990 e no dia 16 de junho de 2000 ela foi
inaugurada.
Islam no Brasil
O Islam chegou ao Brasil principalmente
com os escravos hausas (Nigéria e região do Sudão), fulanis (são um grupo de 35
milhões de pessoas, dispersas por 15 países, da costa atlântica do Senegal à
densa selva centro-africana), yorubas (uma das maiores etnias do continente
africano em termos populacionais) e malês (origem na palavra imalê, que
significa muçulmano na língua iorubá).
Houve revoltas dos malês muçulmanos que se
opuseram contra a escravidão e a imposição da igreja católica. A revolta
aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia, em 1835 e mobilizou cerca de 600
escravos.
Curiosidades sobre o Islam
Islam significa submissão voluntária à vontade
de Deus. É considerada a maior religião do mundo, segundo o próprio Vaticano
que anunciou isso em 2008. Porém, no mundo há mais cristãos que muçulmanos.
Os muçulmanos creem que o Alcorão é a
palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de
um período de vinte e três anos. Livro sagrado não pode ser comercializado. O
alcorão tem 114 capítulos.
Os cinco pilares do Islã, são: acreditar
em Deus e no seus mensageiros; fazer cinco orações por dia; realizar o
pagamento do zakat que é a doação em dinheiro a uma pessoa necessitada;
participar do Ramadã quando ficam da alvorada até o pôr do sol sem comer, beber
e ter relação sexual no período de um mês; e, visitar o templo sagrado de Meca,
na Arábia Saudita, uma vez na vida.
Os muçulmanos fazem cinco orações durante
o dia. A primeira ao alvorecer; a segunda, ao meio-dia depois do sol atingir o
seu ponto máximo; a terceira, entre o meio-dia e o pôr do sol; a quarta, logo
após o pôr do sol; e a quinta, à noite, pelo menos uma hora e meia após o pôr
do sol e não pode passar da meia-noite.
O muçulmano é contra terrorismo, ato que
discrimine outras religiões, defende que matar é crime, convoca para conservar
a natureza e não matar os animais.
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