quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Mesquita Palestina de Criciúma sempre está aberta para receber visitas

 


Quando começa a anoitecer, o Parque Municipal Prefeito Altair Guidi, localizado nos fundos da Prefeitura Municipal de Criciúma, fica movimentado pelas pessoas que moram na região. Muitos criciumenses cuidam do corpo e da mente correndo, caminhando ou praticando atividade física com bicicleta, bola ou skate. Enquanto isso, do outro lado da rua, na Mesquita Palestina, os muçulmanos cuidam da sua alma com os ensinamentos do sagrado livro do Alcorão. Todas as noites no horário das 20h às 21 horas eles se reúnem para rezar e participar de uma aula com duração aproximada de dez minutos.

O orientador religioso da Mesquita Palestina de Criciúma é o cheique Adil Ali Pechliye, graduado na Universidade da Arábia Saudita. “Nós também nos reunimos todas as tardes a partir das 12 horas até as 13 horas. Sexta-feira é o dia especial quando a maioria dos muçulmanos se reúne nas mesquitas. Ao meio-dia e meia fazemos a oração e depois tem o discurso ou sermão. Qualquer pessoa que desejar pode entrar aqui desde que não use roupas curtas, justas ou transparentes. Serão bem-vindos”, explicou o cheique.

Os homens se reúnem descalços, num salão forrado com um tapete azul, sem cadeiras, lado a lado em filas verticais. As mulheres ficam no mezanino forrado com um tapete vermelho e têm diminuído a frequência devido à pandemia. Elas também realizam as orações, mas não é dever comparecer à mesquita. Eles fazem suas orações voltados para a estrutura sagrada Caaba, localizada em Meca, na Arábia Saudita. O movimento de se ajoelhar e tocar a cabeça no chão é um gesto de respeito da criatura para com o criador. Num dos sermões sobre a oração o cheique destacou a importância da realização das cinco orações diárias. “A oração é importante porque nos purifica dos erros e dos pecados que cometemos todos os dias. E também, porque ilumina nosso coração e nossa alma”, enfatizou Pechliye.

Juliana Thofehrn costuma fazer orações na capela localizada nos fundos da igreja católica do Bairro Próspera onde mora. Também participa e estuda o espiritismo na Casa Espírita Seara de Jesus. Ela considera importante ter experiências novas com mais frequência porque enriquecem a vida. Sugere que as pessoas reservem tempo para entrar em contato com culturas e atividades. Por isso, participou de uma das rezas e acompanhou os ensinamentos de uma aula na mesquita. “Fiquei impressionada, apesar de ter certeza de que todas as religiões são boas, hoje fiquei emocionada e tocada pelo que vi. Apesar das diferenças culturais, observo que transborda amor e caridade. A palestra vem ao encontro do que acredito que Deus é amor, é universal, perdoa, compreende, ama. Cada um de nós tem responsabilidades pelos seus atos”, analisou Juliana.

Foi numa aula de Arte que Julia Rocha da Silva, 9 anos, ouviu falar sobre muçulmanos e mesquitas. Manifestou o interesse em conhecer e teve a permissão da família. Um dos seguidores do Islamismo mostrou à menina o livro do Alcorão e explicou que a escrita árabe é feita da direita para a esquerda. Ela soube que não deve pegar o livro nas mãos sem antes fazer a ablução que é um ritual de limpeza e purificação de partes do corpo. “Tentei explicar para minha mãe o que aprendi, mas não tem como explicar, ela tem que ir ver. Achei interessante a maneira como eles rezam, eles abaixam e levantam. Gosto de conhecer para saber respeitar”, comentou Julia.

Segundo o cheique, moram na região de Criciúma, Nova Veneza e Forquilhinha entre 300 e 400 muçulmanos oriundos principalmente dos países africanos como Gana, Togo e Senegal. Há poucos árabes e brasileiros praticantes que frequentam a mesquita.

Os encontros podem ser acompanhados ou assistidos posteriormente no canal da TV Islam Sul de SC no Facebook. Contatos podem ser feitos pelo whatsapp (48) 9670-3455.

 


História da Mesquita Palestina de Criciúma

Santa Catarina tem cinco mesquitas localizadas em Criciúma, Lages, Palhoça, Joinville e Florianópolis. Há mais comunidades islâmicas em Chapecó e Tubarão.

No final da década de 1970 árabes muçulmanos do Líbano e da Palestina chegaram a Criciúma. Em 1983 fundaram a Sociedade Beneficente Muçulmana de Criciúma (SBMC). Eles recuperaram alguns subsídios que recebiam do governo, perdidos com a Constituição de 1988 que proibia entidades religiosas de receber subvenções, criando uma entidade para divulgar a cultura árabe na cidade. Logo começaram a projetar a mesquita e iniciaram a construção em meados da década de 1990 e no dia 16 de junho de 2000 ela foi inaugurada.

 

Islam no Brasil

O Islam chegou ao Brasil principalmente com os escravos hausas (Nigéria e região do Sudão), fulanis (são um grupo de 35 milhões de pessoas, dispersas por 15 países, da costa atlântica do Senegal à densa selva centro-africana), yorubas (uma das maiores etnias do continente africano em termos populacionais) e malês (origem na palavra imalê, que significa muçulmano na língua iorubá).

Houve revoltas dos malês muçulmanos que se opuseram contra a escravidão e a imposição da igreja católica. A revolta aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia, em 1835 e mobilizou cerca de 600 escravos.

 

Curiosidades sobre o Islam

Islam significa submissão voluntária à vontade de Deus. É considerada a maior religião do mundo, segundo o próprio Vaticano que anunciou isso em 2008. Porém, no mundo há mais cristãos que muçulmanos.

Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de um período de vinte e três anos. Livro sagrado não pode ser comercializado. O alcorão tem 114 capítulos.

Os cinco pilares do Islã, são: acreditar em Deus e no seus mensageiros; fazer cinco orações por dia; realizar o pagamento do zakat que é a doação em dinheiro a uma pessoa necessitada; participar do Ramadã quando ficam da alvorada até o pôr do sol sem comer, beber e ter relação sexual no período de um mês; e, visitar o templo sagrado de Meca, na Arábia Saudita, uma vez na vida.

Os muçulmanos fazem cinco orações durante o dia. A primeira ao alvorecer; a segunda, ao meio-dia depois do sol atingir o seu ponto máximo; a terceira, entre o meio-dia e o pôr do sol; a quarta, logo após o pôr do sol; e a quinta, à noite, pelo menos uma hora e meia após o pôr do sol e não pode passar da meia-noite.

O muçulmano é contra terrorismo, ato que discrimine outras religiões, defende que matar é crime, convoca para conservar a natureza e não matar os animais.

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