segunda-feira, 31 de março de 2025

Grupo conhece comunidade do Chapadão e Parque Estadual da Serra Furada

Um dia para celebrar a força feminina, buscando o bem-estar do corpo e da mente, em conexão com a natureza. Este é o lema da 2ª edição do evento Mulheres no Topo da Montanha que aconteceu, em Orleans, no sábado, dia 29. Foram programadas atividades com proposta de uma imersão cultural, oferecendo conhecimento da história local e experiências com a produção artesanal criada para fortalecer a economia local ao promover o trabalho e o empreendedorismo das mulheres da comunidade do Chapadão e Morro da Palha. "Também celebramos a força, a união e a autonomia feminina enquanto curtimos as belezas naturais do Parque Estadual da Serra Furada", informou a idealizadora do projeto e organizadora, Tayse Nicoladelli.

A visita ao Memorial da Associação Cultural de Descendentes Poloneses da Encosta da Serra Catarinense - Apolsca – iniciou as atividades do dia.  O espaço visa preservar e compartilhar a história da comunidade rural do Chapadão, cuja colonização teve forte influência da etnia polonesa. O local abriga um acervo com objetos históricos, fotografias e documentos que retratam o modo de vida, as tradições e os costumes dos primeiros colonizadores, proporcionando uma imersão na identidade cultural da região.

Luiz Slachta apresentou parte da história dos antepassados, reunindo o grupo embaixo de uma figueira, ao lado do memorial e em frente à igreja Santo Adalberto. “Os primeiros moradores vieram das comunidades de Linha Batista, em Criciúma, e Linha Torrens, em Cocal do Sul. Três personalidades foram importantes e são homenageadas. Ettiéne era agrimensor e médico prático que saia a cavalo para atender os doentes. A doutora Mussi que foi a primeira mulher polonesa a se formar na Universidade do Paraná. E o Wenceslau que morreu em um combate, na Itália, durante a II Guerra Mundial”, contou Slachta.

O Parque Estadual da Serra Furada é uma unidade de conservação localizada nos municípios de Grão-Pará e Orleans, na encosta da serra catarinense, entre as serras do Corvo Branco e Rio do Rastro. Criado em 1980, abrange 1.330 hectares e é conhecido por suas impressionantes formações geológicas, incluindo uma fenda arenítica de 45 metros de altura e 8 metros de largura. A trilha escolhida para este evento foi a do circuito da Canela Grande que iniciou no Centro de Apoio à Pesquisa e Educação Ambiental do Instituto do Meio Ambiente (IMA), localizado em território de Grão-Pará. É uma trilha rústica dentro da Mata Atlântica, com alguns pontos de passagem por cursos d’água, pontilhões e degraus. O primeiro trecho é uma antiga pastagem em processo de regeneração, ou seja, está voltando a ser floresta, há 15 anos. À medida que a trilha avança, os visitantes passam por áreas que já foram roças de subsistência e abandonadas há pelo menos 50 anos. “Hoje estas áreas já abrigam uma floresta em estágio avançado, com árvores de grande porte. Mais ou menos no meio do caminho se adentra a floresta primária, onde estão as árvores anciãs do parque, algumas com idade que pode chegar a 400 anos, como as canelas-pretas, árvores ameaçadas de extinção, e que dão nome ao circuito”, informou Vanessa Matias, gestora do parque.

Lilian Barbosa de Souza, museóloga, é uma serrana que foi morar na comunidade há mais de 20 anos. Ela acompanhou o marido, veterinário, que introduziu a avicultura como fonte de renda na região.  Também contou que a granja Faria, do empresário conhecido como “rei do ovo”, trabalha com produção de ovos férteis e a família dela produz ovos comerciais e ovelhas. “Trabalhamos com matrizes e reprodutores, levamos os animais para exposições e não criamos as ovelhas apenas para o abate. Como temos bastante lã e sebo, eu quis encontrar uma forma de reaproveitá-los. O problema do sebo é que ele tem uma textura mais dura e um cheiro que nem sempre agrada. Então pesquisei muito, testei várias combinações até chegar a uma fórmula ideal onde misturo manteiga de karité e manteiga de coco com o sebo, criando um produto em formato de vela. Quando você acende a vela e o conteúdo derrete, pode usá-lo para hidratar a pele ou até para fazer massagem”, explicou Lilian.

O café da manhã no hotel. As paisagens vistas pela janela do ônibus. Os morros da Forquilha, do Facão e do Garrafão. A chuva leve caindo sobre a copa das árvores. O banho na cachoeira do Salto da Piava. O alvoroço com a presença de uma jararaca assustada. O gosto da bebida conhecida como “consertada”, feita à base de cachaça, açúcar mascavo, gengibre e cravo. A comida típica pierogui preparada pela família Selinger. Os olhares fixos no tronco de uma árvore tentando perceber a lagarta camuflada. A medalha doada pelo papa João Paulo II a um padre local. O espanto com a profundidade do poço onde se pode puxar água usando uma corda e um balde. Recolher na garrafa a água que brota na floresta. Caminhar em fila indiana conversando sobre a vida. Ouvir a história dos três poloneses ilustres que deixaram marcas na comunidade. O santuário decorado com nó de pinho e delicadas estátuas de santos. O sabor da seriguela colhida no pé. Estas são algumas experiências que 53 mulheres levaram na memória ao retornar para suas casas em Lauro Müller, Morro da Fumaça, São Ludgero, Braço do Norte, Nova Veneza, Araranguá, Criciúma e Sangão.

A trilha da Serra Furada tem condução obrigatória, mas há atrativos sem custo, apenas exigem autorização prévia. Os contatos de agendamento são e-mail (serrafurada@ima.sc.gov.br) e telefone (48 991728817).


 


 

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