Na noite de ontem, dia 27, foi realizada uma audiência pública para discutir o sistema de estacionamento rotativo, solicitada pelo vereador Nícola Martins. Os moradores e comerciantes oriundos principalmente dos bairros Comerciário, Pio Correa, São Cristóvão e Michel lotaram o auditório da Associação Empresarial de Criciúma (Acic). Representantes da prefeitura e da empresa Gerestar, administradora do serviço, não compareceram. “A ata da audiência pública vai ser levada ao Ministério Público, com todas as sugestões de mudança de legislação, todas as reclamações da comunidade, sugestões de melhorias, principalmente em locais que são essencialmente residenciais. Esse é o ponto principal. A comunidade está indignada com a instalação de rotativo em locais essencialmente residenciais”, relatou Nicolas.
Sergio Biava Junior, vice-presidente da Associação dos Moradores do Bairro Comerciário (AMBAC) explicou como a cobrança da Área Verde afeta a vida das pessoas que residem na região. “A lei é clara quando diz que a cobrança será feita em ruas com concentração de comércio e serviços, pedimos que a respeitem. Vários apartamentos não tem garagem e os carros ficavam estacionados na rua. Quem quiser continuar, precisa desembolsar até R$ 25 reais todos os dias da semana e ainda tem o transtorno de trocar a vaga porque não é permitido deixar o carro no mesmo lugar por mais de 5 horas e pode cometer uma infração”, explicou Biava.
Marília Alves moradora da rua Henrique Chenaud, no Bairro Comerciário, afirmou que uma das indignações é o desconhecimento da audiência pública realizada em 2021 que previa o início das cobranças e na qual estiveram presentes apenas seis pessoas. “Fui à padaria e à farmácia. Nas duas vezes, deixei o pisca-alerta ligado. Descobri que tenho duas multas para pagar em 30 dias e só fiquei sabendo porque solicitei que um amigo verificasse no sistema. E, se eu não efetuar o pagamento destes valores em 30 dias, pagarei uma multa de R$ 192,00. Eles não avisam”, reclamou.
O morador do bairro Nossa Senhora da Salete, Alan Rodrigues, pediu atenção e empatia em relação às cobranças dos espaços públicos. “Meu pai tem câncer e problemas do coração, vive internado com muita frequência no hospital São José, faz vários procedimentos. Eu e meus familiares ficamos semanas com ele e quando eu volto tem uma conta enorme para pagar”, comentou.
Durante a audiência, representantes de bairros e autoridades que ocuparam a tribuna criticaram a falta de diálogo com a população, a rigidez no tempo de permanência nas vagas, a criação de zonas vazias devido à migração de veículos para áreas sem cobrança, a retirada de paradas e linhas de ônibus no bairro Pio Correa, além da ausência de parecer técnico que justifique os critérios adotados e a quantidade de vagas destinadas a idosos e pessoas com deficiência.


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