“A história
dos surdos: da proibição à liberdade” é uma pequena peça de teatro que tem como
objetivo principal a conscientização da importância do ensino da Língua
Brasileira de Sinais nas escolas. Estudantes do Ensino Médio da EEB Engenheiro
Sebastião Toledo dos Santos, conhecida como Colegião, foram convidadas para compartilhar
suas experiências na escola municipal Padre José Francisco Bertero, na manhã
desta terça-feira, dia 9. As alunas Kauany dos Santos e Aline de Souza fizeram
a apresentação em parceria com a interprete de libras, Ana Paula Marques Luiz.
O convite foi realizado pela professora Michele
Mezari Oliveira depois de trabalhar os órgãos de sentidos e suas funções nas
suas aulas de Ciências. “Nós estudamos sobre audição, olfato, paladar, tato e
visão. Então, surgiu o interesse em saber mais sobre pessoas que são surdas.
Eles queriam sabe como elas se comunicavam e quais são seus sonhos.”, explicou Michele.
Os adolescentes ficaram concentrados
quando as jovens contaram as histórias das suas vidas. Ambas perderam a
capacidade auditiva cedo por causa da catapora. Kauany tem 17 anos e curte
fotografia. Aline, aos 16 anos planeja ser farmacêutica. Maria Victória de Lima
Fortunato, 6º ano, fez questão de se apresentar às convidadas usando os poucos
sinais de Libras que aprendeu em anotações que viu no caderno da mãe. “Elas
disseram que tem poucos amigos e que ficam felizes quando encontram alguém que
sabe se comunicar por sinais. Temos dois colegas na sala que tem esta deficiência,
se a gente soubesse mais, eles iriam gostar mais de vir pra escola”, comentou a
estudante.
O intérprete de Libras, Jonathan Henrique
da Costa Dal Bosco, atua como professor bilíngue e de português para surdos no
Atendimento Educacional Especializado - AEE. Ele explicou que para chamar a atenção
de alunos surdos usa recursos como bater o pé forte no chão porque eles sentem
a vibração ou acender e apagar a luz do ambiente. Segundo ele, houve um período
de 100 anos da proibição das línguas de sinais que fizeram com que os surdos se
tornassem invisíveis e por vezes, não pertencente a um lugar. “Quiseram impor ao surdo uma identidade que
não era a dele, uma língua que não era a dele, quiseram encaixar o surdo num
mundo desigual alegando inclusão e igualdade. Dificilmente você encontra um
surdo em lojas, trabalhando em locais visíveis, pelo contrário, está sempre em
uma sala, um almoxarifado, e assim vai. Nosso trabalho está provando mudanças
para a verdadeira inclusão”, explicou Costa.

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